59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem inscrições gratuitas para oficinas até domingo (23/8)

Karen Akerman

Atividades formativas incluem crítica de cinema, edição de som, figurino e atuação

A mais tradicional e longeva mostra cinematográfica do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro está com inscrições abertas para as oficinas de sua 59ª edição. As pessoas interessadas podem se inscrever gratuitamente até domingo (23/8), pelo site oficial do festival, que será realizado de 11 a 19 de setembro.

As oficinas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro integram um importante eixo da programação dedicado à formação, à troca de experiências e à ampliação do acesso ao conhecimento no campo audiovisual. Por meio de atividades voltadas ao desenvolvimento técnico, artístico e crítico, as oficinas contribuem para a qualificação de novos talentos, o aperfeiçoamento de profissionais e o fortalecimento da diversidade de olhares e práticas no cinema brasileiro. 

Nesta edição, o público pode se inscrever nas oficinas de Figurino para Cinema: Acesso, Linguagem e Inserção Profissional, ministrada por Nina Maria e focada nos processos de criação, concepção visual e pesquisa estética aplicada ao vestuário no cinema; a de Edição de Som para Curtas no DaVinci Resolve, sob a coordenação do especialista em mixagem Micael Guimarães, que aborda técnicas e ferramentas necessárias para o desenho de som, edição e finalização sonora de obras audiovisuais na ferramenta DaVinci Resolve; a de Atuação para Cinema: Poéticas e Procedimentos, com Noá Bonoba, que explora a construção da performance diante das câmeras, analisando métodos e a relação do ator com a linguagem cinematográfica; a de Crítica em Cinema, conduzida por Luiz Joaquim, destinada ao desenvolvimento do olhar crítico e da escrita sobre o cinema, discutindo formas de análise e contextualização de obras; e a O Que Pode a Montagem?, com a montadora Karen Akerman, focada na narrativa audiovisual, ritmo e na organização da estrutura dramática de um filme durante o processo de edição.

O 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro conta com apoio da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Cine Brasília, Canal Brasil, Canal Like,, Embaixada da Espanha, Instituto Goethe, Projeto Paradiso, Rio2C, Estúdios Aicon, FAC-UnB, Abraccine e Fipresci. Conta com  o apoio de mídia do Correio Braziliense e tem a TV Globo como Emissora Oficial, o Metrópoles como Media Partner. É realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e pelo Instituto Alvorada Brasil, em gestão compartilhada que se estende por três anos, culminando em 2026, nesta 59ª edição. Conta com recursos de incentivo federal da Petrobras. Tem patrocínio do BNDES, Sebrae e patrocínio especial do Banco de Brasília (BRB).

Sob a presidência do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, com direção geral de Sara Rocha, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem direção artística do crítico, cineasta e programador Eduardo Valente. 

SERVIÇO

Oficinas do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Inscrições: Até domingo (23/8), pelo site: festcinebrasilia.com.br.

SOBRE AS OFICINAS

Crítica em Cinema, com Luiz Joaquim 

Datas:  8, 9, 10 e 12 de setembro de 2026 + cobertura de 4 noites do 59º FBCB 

Horário: Dias 8, 9 e 10 setetembro (das 19h20 às 20h40 – online); dia 12 setembro (das 15h às 17h – presencial no Auditório Cine Brasília).

Carga horária total: Encontros online (6h) e Cobertura presencial (10h).

Sinopse da oficina: A partir de três encontros online (via Google Meet) e um presencial (no Distrito Federal), a oficina ‘Crítica em Cinema’ irá proporcionar aos participantes a chance de debater possibilidades de conceitos, de importância (encontro 1), de estruturas, de métodos e desafios da crítica de cinema. Pela oficina, os alunos também irão cobrir o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e ter seus textos publicados em blog específico. Com o objetivo de estimular a análise fílmica e uma lógica de escrita que expanda a expressão do autor em comunhão com a obra e com a sua visão de mundo, a oficina irá apresentar alguns critérios de julgamentos estéticos. Para tanto, a oficina irá utilizar textos e trechos de filmes como exemplos, e também problematizar algumas opções próprias da escrita sobre cinema (encontro 2), sem deixar de lados aspectos próprios de nossa complexa sociedade contemporânea (encontro 3). Irá ainda distinguir questões que aproximam e distanciam a crítica própria da cobertura de um festival (encontro 4). A oficina irá oferecer, ainda, uma bibliográfica básica de modo que os alunos possam ampliar seus conhecimentos na área. 

Minibio do oficineiro: Luiz Joaquim, do Recife, é jornalista, mestre em comunicação, escritor, professor, curador e crítico de cinema. 

Atuação para Cinema: Poéticas e Procedimentos, com Noá Bonoba 

Datas: 13 a 15 de setembro 

Horário: 14h às 18h 

Local: Hotel Ramada

Sinopse: Uma oficina prática voltada à experimentação de diferentes modos de construir presença diante da câmera. Partindo da compreensão de que não existe um único registro de atuação cinematográfica, a proposta amplia o repertório dos participantes por meio de exercícios que investigam estados cênicos, escuta, ritmo, ação, repetição e relação com o enquadramento. A metodologia articula práticas de atuação, análise de trechos de filmes e discussões realizadas durante os próprios exercícios, compreendendo a atuação como resultado da relação entre corpo, câmera e direção. Ao longo da oficina, os participantes experimentarão diferentes procedimentos de criação, observando como pequenas alterações de presença produzem efeitos distintos na imagem cinematográfica. No encontro final, parte dos exercícios será filmada para que o grupo possa assistir ao material e refletir sobre os modos como a câmera transforma e potencializa a atuação. Cada participante receberá os registros realizados durante a oficina como material de acompanhamento de seu próprio processo. 

Minibio da oficineira: Noá Bonoba é atriz, roteirista, realizadora, preparadora de elenco, encenadora, dramaturga e pesquisadora. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, desenvolve investigações sobre cinematografias trans e a invenção de mundos a partir de seres ctônicos, fabulação sci-fi e desmontes do real. Sua trajetória artística começa no teatro, onde criou obras que exploram o estranhamento cognitivo, o não-humano e metodologias colaborativas de encenação. No cinema, é formada pela Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes, recentemente filmou seu primeiro longa como diretora (Iguaraguá) e é protagonista de “Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente, vencedor de diversos prêmios e com estreia nos cinemas marcada para 2026. Atua em processos criativos que atravessam corpo, mito, escrita e fabulação especulativa. 

O que pode a montagem?, com Karen Akerman 

Datas: 16 a 18 de setembro 

Horário: 14h às 18h 

Local: Centro Universitário Iesb – Asa Sul 

Pré requisito: noções de Adobe Premiere 

Sinopse da oficina: Investiga teoria e prática das ferramentas da montagem de cinema. Uma exploração de gêneros e linguagens a partir do estudo de casos reais. Como as decisões na ilha de edição transformam o sentido de uma cena? Partindo da minha experiência como montadora em filmes de diferentes universos e linguagens, esta oficina convida a mergulhar nos bastidores desse processo, articulando teoria e prática em um ambiente de troca. No primeiro momento, investigaremos as ferramentas conceituais da montagem, analisando como a articulação entre planos, o uso do som e as escolhas de ritmo moldam a experiência do espectador. A partir dessa base, faremos um exercício prático de criação: utilizando um material de arquivo coletivo fornecido para a turma, cada participante será incentivado a manipular e reordenar as imagens, construindo objetos autorais entre a autoficção e o ensaio visual. A proposta é refletir sobre o corte, testar limites formais e explorar a montagem enquanto pensamento vivo, onde a limitação de recursos atua como combustível para a liberdade e para a invenção de novas formas de narrar. 

Minibio da oficineira: Karen Akerman transita pelos mais diversos gêneros e formatos do audiovisual – ficção e documentário, cinema narrativo e experimental, longas, séries e curtas como montadora, majoritariamente, mas também como diretora, produtora, consultora e professora. Em sua filmografia como montadora, destacam-se obras como O Processo, de Maria Augusta Ramos, A Febre, de Maya Da-Rin, e O Riso e a Faca, de Pedro Pinho. 

Edição de som para curtas no Davinci Resolve, com Micael Guimarães 

Datas: 14, 15, 16 de setembro 

Horário: 14h às 18h 

Local: Jovem de Expressão (Ceilândia) 

Público alvo: Estudantes, realizadores audiovisuais, montadores, diretores e demais interessados em edição de som para curtas-metragens. 

Sinopse da oficina: Esta oficina propõe uma conversa sobre os conceitos fundamentais da edição de som para curtas-metragens, tendo o DaVinci Resolve como ferramenta de demonstração. O objetivo é apresentar uma forma de pensar o som na pós-produção, mostrando como organizar o material, estruturar a timeline e tomar decisões que contribuam para a narrativa e a experiência do espectador. Ao longo dos encontros, serão discutidos temas como organização do projeto, edição de diálogos, construção de ambiências, utilização de efeitos sonoros, continuidade sonora, percepção, ritmo e a relação entre imagem e som. Também serão abordadas estratégias para manter um fluxo de trabalho organizado e eficiente, facilitando a comunicação entre as diferentes etapas da pós-produção. Mais do que ensinar comandos ou ferramentas específicas, a oficina busca desenvolver o olhar — e a escuta — para a edição de som, oferecendo aos participantes uma base conceitual que poderá ser aplicada em diferentes projetos audiovisuais. 

Minibio do oficineiro: Micael Guimarães, Mica, atua no audiovisual há mais de 30 anos e é especialista em edição e mixagem de som para cinema. Premiado no Festival de Brasília, CinePE, e vários outros. Trabalha com foco na construção narrativa por meio do som em curtas e longas-metragens. 

Figurino Para Cinema: Acesso, Linguagem e Inserção Profissional, com Nina Maria 

Datas: 15 a 18 de setembro de 2026 

Horário: 15h às 18h 

Local: Jovem de Expressão (Ceilândia)

Sinopse da oficina: O figurino é uma das principais ferramentas de construção narrativa do cinema. Ele veste personagens,comunica identidade, contexto histórico, relações sociais e aspectos psicológicos da dramaturgia. Esta oficina propõe uma introdução prática ao figurino cinematográfico, apresentando suas etapas de criação desde a leitura do roteiro até a organização do departamento de figurino durante as filmagens. Ao longo de 12 horas, os participantes conhecerão conceitos fundamentais da linguagem do figurino, métodos de pesquisa, desenvolvimento de propostas visuais e a dinâmica profissional do setor no audiovisual brasileiro. Voltada especialmente às ações afirmativas do Festival, a atividade busca democratizar o acesso a um campo técnico ainda pouco conhecido, oferecendo ferramentas que contribuam para a formação e inserção de novos profissionais na cadeia produtiva do cinema. 

Minibio da oficineira: Nina Maria é figurinista, pesquisadora e educadora, com 16 anos de experiência no audiovisual brasileiro. Iniciou sua trajetória no cinema assinando o figurino do curta 50 Anos em 5, de José Eduardo Belmonte, exibido na abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Desde então, trabalhou em produções como Ainda Temos a Imensidão da Noite (Gustavo Galvão), Menarca e Levante (Lillah Halla), ambos selecionados para a Semaine de la Critique do Festival de Cannes, além da série Notícias Populares (Canal Brasil) e do longa Melhor Mãe do Mundo (Anna Muylaert). Paralelamente à atuação profissional, desenvolve atividades de formação e atualmente coordena o Curso de Formação em Figurino da Escola de Cinema Ateliê Bucareste.

Deixe um comentário