
Demanda por maior controle de origem em meio a crise do metanol impulsionou a criação do selo, que fortalece a segurança e a credibilidade da cachaça de alambique
A cadeia produtiva da cachaça de alambique deu um passo importante em direção à transparência e à valorização da bebida mais tradicional do Brasil. Durante a 3ª edição do Festival da Cachaça de Brasília, que segue até domingo (31), foi apresentado oficialmente ao público o Selo Nacional da Cachaça de Alambique, desenvolvido pela Associação Nacional da Cachaça de Alambique (Anpaq), iniciativa que indica a origem, a autenticidade e os métodos tradicionais de produção da bebida.
A criação do selo começou a ser debatida em outubro do ano passado, durante a participação da Anpaq no Festival Curicaca, realizado na Arena Mané Garrincha, em Brasília. Naquele momento, o setor acompanhava com preocupação os desdobramentos da crise provocada por casos envolvendo contaminação por metanol em bebidas alcoólicas, situação que gerou insegurança entre consumidores e colocou em evidência a necessidade de mecanismos capazes de diferenciar produtores sérios e produtos com origem comprovada.
Foi nesse contexto que ganhou força a proposta de criar um selo nacional voltada especificamente para a cachaça de alambique, oferecendo ao mercado uma ferramenta de identificação do produtor, da origem, da autenticidade e da valorização dos produtores comprometidos com as boas práticas de fabricação e regulamentadas pelo MAPA.
“O selo nasce para mostrar ao consumidor exatamente o que ele está comprando. Queremos dar visibilidade aos produtores que preservam a tradição da cachaça de alambique, além de oferecer uma garantia adicional de autenticidade e procedência”, destaca o presidente da ANPAQ, Sérgio Maciel.
Para Edilane Oliveira, organizadora do Festival da Cachaça de Brasília, o lançamento do selo durante o evento representa mais um avanço para toda a cadeia produtiva com o palco de apresentação no festival. “O Festival da Cachaça de Brasília foi criado para valorizar produtores, promover conhecimento, aproximar o consumidor da cultura da cachaça e trazer as principais demandas do setor para o centro das discussões políticas do país. Receber o lançamento do Selo Nacional da Cachaça de Alambique reforça o papel do evento como um espaço estratégico para fortalecer a cadeia produtiva, ampliar o diálogo com o poder público, gerar negócios e valorizar a autenticidade de uma das maiores expressões da cultura brasileira”, afirma.
O Selo identifica bebidas produzidas em alambique de cobre, com destilação em bateladas – separação da cabeça, calda e coração da cachaça com processos controlados que preservam características regionais e sensoriais. Além da certificação visual, cada produtor receberá um QR Code próprio e um código serial exclusivo, permitindo ao consumidor acessar informações sobre o produtor, a origem da bebida, os processos produtivos e a autenticidade.
Apresentada em abril deste ano na Universidade Federal de Lavras (UFLA), durante o III Simpósio Brasileiro da Cachaça, uma das principais referências nacionais em estudos e pesquisas relacionados à cachaça, a iniciativa chega ao mercado como uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade do setor, ampliar a confiança dos consumidores e agregar valor às marcas participantes.
O lançamento ocorre em um momento de expansão da cadeia produtiva da cachaça, que registra crescimento no número de produtores, estabelecimentos e rótulos, ao mesmo tempo em que consumidores demonstram interesse crescente por produtos “artesanais”, de controle comprovado de origem conhecida e identidade regional. Para a Anpaq, o lançamento representa mais do que um selo de qualidade: trata-se de uma ação de proteção ao patrimônio cultural brasileiro, de fortalecimento da imagem da cachaça de alambique e de incentivo à profissionalização do mercado.
Mais do que uma certificação, o selo representa um compromisso com a autenticidade, a transparência e a valorização da verdadeira cachaça de alambique brasileira.
Na foto: Edilane Oliveira (presidente do IBI e organizadora do evento), Sérgio Maciel (Presidente da Anpaq) e Adão de Faria (produtor da cachaça Canela de Ema – MG. Primeiro a obter o Sele Nacional)
Serviço | Festival da Cachaça de Brasília
Data: 27 a 31 de maio
Local: Estacionamento da Arena Mané Garrincha
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
30/05 – 11 às 23h
31/05 – 11h às 23h




















