20 curiosidades das 20 edições do Festival Nova Veneza

Foto divulgação

1. COMO TUDO COMEÇOU

Em missão de apresentação de projetos culturais em desenvolvimento em Nova Veneza (GO) nos anos 2000, durante a gestão do descendente de italianos Oswaldo Stival, um grupo da prefeitura da cidade partiu para a Itália, rumo à embaixada oficial. Lá, a curiosidade pela cidade no interior de Goiás com fortes raízes italianas aflorou.

Conhecendo Nova Veneza de perto, a embaixada condecorou um dos membros da prefeitura a fazer parte da cooperação italiana, e passou a cobrar uma ação de maior magnitude em relação ao fortalecimento da cultura italiana entre seus descendentes em Goiás. Assim, surgiu a ideia do Festival Italiano de Nova Veneza, fortemente apoiado pela embaixada do país europeu. No ano de 2017, 13° Festival Italiano, o  embaixador da Itália no Brasil, Antônio Bernardini, prestigiou o evento.

2. PALCO DO EVENTO

No ano de 1924, após consolidação da colônia italiana nas terras do Cerrado, a família de João Stival decidiu doar parte de suas terras para a construção de uma capela. Essa estrutura religiosa é a Igreja Matriz, localizada na Praça Matriz, centro da cidade. O símbolo religioso, histórico, cultural e urbanístico, é rodeado pelo Festival Italiano de Nova Veneza, que ocupa todo o perímetro da praça.

3. DE PORTA EM PORTA

Nos primeiros festivais, o trabalho na cozinha e na organização era 100% voluntário, formado por membros que acreditavam na importância da manutenção da cultura italiana com base na cultura, gastronomia e história. A coordenação central da festividade, com os primeiros idealizadores, realizou mutirões para vender a ideia de um festival da cidade, batendo de porta em porta dos moradores, convocando voluntários e também visitantes para aproveitar a festividade. No início, a ideia causou estranhamento, mas hoje, já envolve mais de 35% da população de toda a cidade nos dias de festa.

4. A PRIMEIRA CANTINA DA NONNA

Na primeira edição, a Cantina da Nonna, cozinha oficial do evento, foi montada no quintal da casa da família Stival, onde morou João Stival, que liderou a caravana de italianos de seu país de origem até o Brasil. A casa, localizada no perímetro da praça em que acontece o Festival Italiano, hoje é o Instituto Stival, museu que conta a história da fundação da cidade. 

 5. FALTOU MACARRÃO

Na segunda edição do evento, quando houve a primeira divulgação na mídia, o público lotou o evento e faltou macarrão. Na urgência de atender a todos que vieram prestigiar a culinária italiana, os organizadores tiveram de sair às pressas pelos atacadões e supermercados da cidade, municípios vizinhos e até em Goiânia para encontrar a massa dentro dos critérios estabelecidos pelas cozinheiras.

6. MISTURA DE CULTURAS 

O festival é italiano, mas ele acontece em Goiás. E, estando em solo goiano, não poderia deixar de ter um toque de regionalismo com seu mais ilustre representante: o pequi, hoje considerado Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e com direito a um dia só seu: 28 de agosto, Dia Estadual do Pequi. No evento, a união entre as culinárias goiana e italiana acontece desde os primeiros festivais, por meio do molho Goiás é Bom Demais. O preparo leva pequi, frango desfiado e açafrão e foi criado com a ajuda da atual  responsável pela cozinha oficial do Festival, Vânia Maria Alves, que na época era uma auxiliar.

7. A FESTA CRESCEU

No início, o festival ocupava somente a rua em frente ao Instituto João Stival até onde, hoje, é montada a Cozinha da Nonna, em frente à Praça Matriz. Agora, o Festival contorna todo o seu perímetro. Neste ano, ainda vai expandir para outras ruas laterais para comportar novos visitantes, estimados em cerca de 150 mil ao longo dos quatro dias. O número é 15 vezes a população da cidade. Para receber toda essa gente, ano após ano, a organização tem feito investimentos como totens para compra digital dos pedidos, construção de banheiros públicos na praça e, ainda, a contratação de banheiros vips para os dias do evento.

8. EQUIPE MULTIPLICADA

Nas primeiras edições, o total de pessoas que trabalhavam na equipe variava entre 30 a 50. Hoje, chega a 400 pessoas. Somente a Cozinha da Nonna possui mais de 150 cozinheiras e auxiliares envolvidas na preparação de cerca de 20 mil porções do cardápio, variado em 30 opções diferentes, considerando as combinações de molhos e massas possíveis. Com a demanda crescente da festa, a capacidade de cozimento também teve de aumentar. Neste ano, são 170  bocas de fogão destinadas ao cozimento, mais três fornalhas para cozinhar o macarrão. Para as lasanhas e o rondelli, são 5 fornos grandes industriais.

9. TONELADAS DE COMIDA

Para se ter ideia do volume de insumos para preparar esta quantidade de pratos, a Cantina da Nonna precisou de  25  vacas e 2,5 mil quilos de filé de frango. Neste ano, estima-se que, para as massas, serão necessárias 4 toneladas de macarrão. Os tachos de fervura do macarrão são gigantes, e têm capacidade de receber 100 litros de água. Para os molhos de variados sabores, os recipientes de preparo chegam a 200 litros de capacidade. Para os diferentes tipos de polenta (cremosa e frita), um dos pratos mais famosos do restaurante oficial do evento, presume-se cerca de 1,3 toneladas de fubá. 

10. ECONOMIA FORTALECIDA

A cada três moradores, um está trabalhando no evento. Atualmente a cidade tem quase 10 mil habitantes, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, aproximadamente, 3,5 mil moradores estarão envolvidos no atendimento ao público, o que representa mais de 35% da população da cidade. A prefeitura estima que o ganho das famílias equivale a um 14º salário, o que movimenta toda a economia da cidade após a festa. 

11. BERÇO DE ARTISTAS NO CORAL INFANTIL

O Coral Vocini di Veneza, formado por crianças das escolas públicas da cidade, existe desde 2008. Inicialmente, era composto apenas por 10 estudantes, e agora já ultrapassa 60. Entre as crianças que participaram, várias seguiram o caminho da música, seja por carreira, seja por hobby. Entre elas, várias já se apresentaram no palco da tradicional festa italiana.

12. CONCURSO PARA CRIAR UM NOVO PRATO

Para a 18° edição do Festival Italiano de Nova Veneza, realizada em 2024, a organização do evento decidiu realizar um concurso na cidade para criar um novo prato e incrementar o menu da Cantina da Nonna, o restaurante oficial do evento. “Com esta iniciativa, nosso objetivo foi estimular que a comunidade compartilhasse a herança  da culinária italiana que fazia parte de sua mesa”, disse a organizadora do evento, Maria do Carmo Basílio. Foram 17 candidatos que apresentaram os pratos para um júri especializado em duas fases. O prato vencedor foi o Rondelli Cremosi,  de  autoria de Heloise Gomes Duarte, que utilizou massa fresca recheada com frango cremoso, regado a um molho branco e queijo catupiry, gratinado ao forno e salpicado de manjericão. O prato foi integrado ao menu oficial da Cantina da Nonna e foi um sucesso entre o público, e passou a fazer parte do cardápio. A cozinheira também. Ela acabou sendo integrada à equipe oficial da cantina. 

13. NO PRATO E NA ARTE

Tanto em um, quanto em outro, a Itália se faz presente em Nova Veneza (GO), mesmo estando a quase 10 mil km de distância. Na edição anterior do Festival, a decoração temática trouxe personagens vestidos inteiramente de macarrão. Em uma das entradas da festa, um casal de manequins simbolizaram os colonos, ambientados em uma cozinha rústica de pau a pique, com fogão caipira e forno à lenha. A artesã responsável, Maria Mota, utilizou cerca de 40 kg de macarrão, de diferentes formatos, para vestir os manequins de maneira característica dos colonizadores. Com um trabalho 100% manual, um a um os macarrões de diferentes formatos foram colados nos manequins utilizando apenas cola de silicone. Maria Mota dedicou pelo menos 6 horas por dia ao projeto, durante dois meses.

14. POLENTA FRITA, O PETISCO ITALIANO QUE CONQUISTOU OS GOIANOS 

De acordo com historiadores, os imigrantes italianos não tiveram dificuldade de continuar sua tradição alimentar no Brasil, porque havia muito milho na nova terra, lugares de sobra onde cultivá-lo. A polenta era o jeito de alimentar-se e conservar um marco de identidade.  Entre os italianos, ela é tida como um coringa da alimentação e está presente, em diferentes ocasiões do dia, no café da manhã, almoço, lanche e também no jantar. No Festival Italiano de Nova Veneza, ela será servida na versão frita ou cozida com opções de receberem acompanhamentos de molho à bolonhesa ou porpetas. “A polenta com molho é bem tradicional na cultura italiana, por isso está entre os pratos do nosso cardápio, mas apesar disso, a polenta frita é a mais pedida pelos visitantes do evento”, conta Vânia Maria Alves, chef responsável pela cozinha ofical do evento, a Cantina da Nonna. O sucesso do prato é tão grande que, a cada ano, a organização aumenta a quantidade de fubá para atender a demanda. A versão frita servida no Festival Italiano de Nova Veneza é feita com temperos especiais para ficar exatamente como a que é consumida na Itália.

15. EXÉRCITO DE POLENTEIRAS

A polenta, com suas diferentes variações, é o prato mais famoso da Cantina Da Nonna. Em 2025, foram utilizadas cerca de 1,3 toneladas de fubá, quantidade que tem previsão de ser ainda maior em 2026. Para atender tamanha demanda, o exército de polenteiras da 20° edição contará com um exército de 10 policiais que irão atuar na linha de frente. Todo o processo deve ser feito na hora, como pede a cultura italiana, e é necessário cuidado com a compra do fubá adequado, tempo de cozimento, e até o tempo de esperar esfriar, no caso da polenta frita. No grupo da fritura, são 28 mulheres só com essa missão, para que o prato seja servido sempre quentinho, que trabalham de 10 da manhã sem hora para parar, além de mais 8 mulheres no atendimento.

16. IMAGEM FIDEDIGNA DE NOSSA SENHORA DO CARMO É APRESENTADA PELO FESTIVAL

Em 2026, completou  100 anos foi celebrado o primeiro festejo de Nossa Senhora do Carmo em Nova Veneza e o 20° Festival Italiano de Nova Veneza, em comunhão com a fé cristã local, percorreu o caminho de volta à Itália para trazer uma versão mais fidedigna da “Madonna  del Carmine”, que será apresentada ao público durante o evento. “Queremos fazer este resgate que muitos venezianos ainda desconhecem”, diz Mayara do Carmo Basílio, coordenadora de criação e marketing do festival. 

A santa é considerada padroeira da cidade e esta devoção foi trazida pelos imigrantes. Sua  imagem original fica na Igreja Santa Maria dei Carmini, em Veneza, na Itália, que usa vestido e manto branco e bordado, carrega o menino Jesus com vestes claras, e está sentada em uma cadeira dourada e tem anjos à sua volta. Esculpida pelo artista plástico João Ricardo Alves, especialista em arte sacra, a “Madonna del Carmine” terá 80 centímetros de altura e ficará no circuito do evento durante os quatro dias.

17. UM VINHO PARA BRINDAR A 20 EDIÇÃO

Para celebrar as duas décadas de história do Festival Gastronômico Italiano de Nova Veneza, um vinho Cabernet Sauvignon, está sendo produzido na Serra Gaúcha exclusivamente para a festa, agendada para 28 a 31 de maio.  O vinho foi batizado como Veneza 1924 Cabernet Sauvignon. Terá coloração intensa e vibrante, aromas frescos de frutas vermelhas com delicadas notas de especiarias, e um corpo médio que entrega equilíbrio e suavidade ao paladar.  A coordenadora de marketing do Festival Italiano, Mayara Basílio, enfatiza que o nome do vinho simboliza o início da maior ocupação italiana no Centro-Oeste, e foi escolhido a partir de um concurso cultural realizado em outubro de 2025.  O nome Veneza faz menção à cidade. Já o número 1924 faz menção ao ano de início da colônia dos italianos. “Os italianos chegaram à cidade em 1912 e  viviam inicialmente em propriedades rurais isoladas. Em 1924, João Stival doou terras para a construção da capela da cidade e área para receber comerciantes, dando início à formação de um povoado estruturado, que mais tarde viria a ser o município de Nova Veneza”, conta.

18. CAVALGADAS NOS PRIMEIROS FESTIVAIS

Nos primórdios da cidade de Nova Veneza, os italianos que habitavam na cidade tinham o costume de visitar seus fazendeiros vizinhos com comitês de recepção a cada vez que um novo morador chegava na cidade. Um grupo de cavaleiros chegava à nova fazenda, e orquestrava uma apresentação com seus animais, formando as iniciais do nome do proprietário. Nos primeiros anos do Festival Italiano, essas cavalgadas eram parte das atrações, de modo que a pessoa em posição de presidência da cidade na época, era a homenageada com suas iniciais em coreografia.

19. PISA DA UVA

Em sua 20ª edição, o Festival Italiano de Nova Veneza celebra a cultura italiana com novidades. O tema deste ano, “Brindiamo Storia e Sapori” (Brindando História e Sabores), vai mergulhar os visitantes na trajetória dos imigrantes com experiências ligadas ao vinho, uma das bebidas mais tradicionais na Itália. Por isso mesmo, a pisa da uva vai ser uma das experiências desta edição, inclusive no jantar de lançamento para autoridades e imprensa no dia 12 de maio. Essa prática é uma tradição no processo da produção de vinho, gravada na história italiana. A pisa da uva surgiu na Antiguidade como parte essencial da produção de vinho. Após a colheita das uvas, era preciso que elas fossem maceradas, e é nesse ponto que a pisa da uva tem início. Esse método consiste em reunir as frutas em tanques de madeira ou pedra (lagares) e pisar nas uvas em passos ritmados, separando o suco da casca por cerca de duas horas.

Após serem esmagadas, as uvas são pisoteadas livremente por cerca de três horas. Quanto maior o tempo de contato entre a casca da uva e o suco, maior a fermentação, onde os taninos, aromas e cores são liberados, tornando o sabor do vinho mais intenso. Trazida ao Brasil pelos imigrantes italianos, essa prática significa também a resistência da tradição e da memória. Por isso, tornou-se também uma experiência turística e cultural popular, acompanhada de música italiana, cantos, trajes típicos e degustação de vinhos/sucos

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