
Queda de 87% das instituições nacionais no ranking CWUR 2026 expõe desafios históricos de financiamento, retenção de pesquisadores e competitividade científica
O Brasil registrou um dos piores desempenhos entre os grandes sistemas de ensino superior do mundo no ranking Global 2000 de 2026, divulgado nesta semana pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR). Das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, o equivalente a 87% das instituições do país presentes na lista. Apenas cinco avançaram e duas permaneceram estáveis.
A deterioração ocorre em um momento de forte competição internacional por pesquisa, inovação e formação de talentos. Enquanto universidades brasileiras recuam, países como a China, a Coreia do Sul e Singapura ampliam investimentos em ciência, tecnologia e desenvolvimento acadêmico, consolidando posições cada vez mais relevantes nos rankings globais.
Para Tiago Zanolla, especialista em educação e carreira e fundador da UFEM Educacional, o maior ecossistema de educação digital da América Latina, a queda das universidades brasileiras no ranking global não representa uma surpresa, mas a consequência de anos de perda de competitividade acadêmica, redução da atratividade da carreira científica e baixo alinhamento entre universidade, pesquisa e desenvolvimento econômico.
“O ranking apenas tornou visível algo que já vinha acontecendo há muito tempo. O Brasil perdeu competitividade científica porque investiu menos, valorizou menos a carreira acadêmica e deixou de tratar a universidade como um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional”, afirma.
O levantamento do CWUR analisou mais de 21 mil instituições de ensino superior e selecionou as 2.000 melhores do mundo. Entre os critérios avaliados estão a empregabilidade dos ex-alunos, qualidade do corpo docente, desempenho acadêmico e, principalmente, produção científica. A pesquisa responde sozinha por 40% da nota final, incluindo volume de publicações, relevância dos periódicos e número de citações recebidas pelos estudos desenvolvidos pelas universidades.
Foi justamente nesse quesito que o Brasil apresentou os maiores recuos. A Universidade de São Paulo, principal instituição do país, caiu para a 119ª posição global. A Universidade Federal do Rio de Janeiro perdeu 15 posições, ficando em 346º lugar, enquanto a Universidade Estadual de Campinas recuou dez posições e passou a ocupar a 379ª colocação.
Financiamento e fuga de talentos
A explicação apresentada pelo próprio CWUR aponta para uma combinação de fatores ligados à capacidade de financiamento e retenção de pesquisadores. “O declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”, afirmou Nadim Mahassen, presidente da entidade responsável pelo ranking.
Na avaliação de Zanolla, a carreira acadêmica perdeu atratividade justamente quando a economia global passou a disputar profissionais altamente qualificados. “Hoje existe uma concorrência mundial por cérebros. Universidades e centros de pesquisa de diversos países oferecem infraestrutura, remuneração e condições de trabalho muito superiores. Quando o pesquisador brasileiro encontra mais oportunidades fora do país, o sistema inteiro perde capacidade de produzir conhecimento”, afirma.
O avanço asiático e o contraste com o Brasil
O contraste mais evidente aparece na China. Segundo o CWUR, 98% das universidades chinesas presentes no ranking melhoraram suas posições em 2026. O país já possui 360 instituições entre as 2.000 melhores do mundo, superando inclusive os Estados Unidos em número de universidades representadas. A Universidade Tsinghua alcançou a 36ª posição global.
O avanço não é recente. Nas últimas duas décadas, o governo chinês implementou programas bilionários para transformar universidades em polos de pesquisa aplicada, aproximando a produção científica das demandas da indústria, da tecnologia e da inovação.
Para Zanolla, a diferença está menos na quantidade de instituições e mais na estratégia adotada.
“Enquanto países asiáticos fortaleceram a pesquisa e criaram mecanismos para conectar universidade e setor produtivo, o Brasil ficou preso a debates internos e perdeu velocidade em temas essenciais para a competitividade global.”
A universidade diante das novas exigências do mercado
Outro aspecto apontado pelo educador é a necessidade de reposicionar o papel das universidades em um cenário marcado por inteligência artificial, automação e mudanças aceleradas no mercado de trabalho.
Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do World Economic Forum, cerca de 39% das habilidades atualmente exigidas pelos empregadores deverão mudar até 2030. O estudo aponta que a capacidade de adaptação, o pensamento analítico e o domínio tecnológico estão entre as competências mais valorizadas pelas empresas.
Para Zanolla, universidades que conseguirem integrar pesquisa, inovação e empregabilidade terão maior capacidade de recuperar relevância internacional.
“O problema não é apenas a posição em um ranking. O que está em jogo é a capacidade do Brasil de produzir conhecimento, gerar inovação e formar profissionais preparados para competir globalmente. Os países que lideram a economia do conhecimento tratam suas universidades como motores de desenvolvimento. O Brasil precisa voltar a enxergar a educação superior dessa forma.”
Apesar da queda generalizada, o país ainda mantém a liderança acadêmica na América Latina, ocupando as dez primeiras posições regionais do ranking. O resultado, contudo, reforça um alerta que especialistas vêm fazendo há anos: sem investimento consistente em pesquisa, valorização da carreira científica e integração com os setores produtivos, a distância entre o Brasil e os principais polos globais de conhecimento tende a aumentar.
Sobre Tiago Zanolla
Tiago Zanolla é professor especializado em concursos públicos, com mais de 15 anos de experiência, mais de 2.000 aulas produzidas e mais de 2 milhões de alunos impactados ao longo da carreira. É referência nacional no ensino jurídico e administrativo para concursos de Tribunais, Ministério Público, carreiras policiais e órgãos federais, além de professor e coordenador de conteúdo na Estratégia Concursos.
Engenheiro de produção por formação, criou o sistema SER, Seleção do Conteúdo Essencialmente Relevante, metodologia baseada em dados aplicada à preparação para concursos. É autor do livro Ética no Serviço Público uma visão moderna, palestrante em inovação educacional e fundador da UFEM Educacional, edtech com mais de 3000 cursos no portfólio.
Para mais informações, acesse o site, instagramou pelo canal do youtube.
Sugestão de fonte: clique aqui
Sobre a UFEM Educacional
A UFEM Educacional é um hub de educação 100% digital que conecta estudantes a instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação. Atua como marketplace educacional, oferecendo graduação acelerada, pós-graduação, cursos técnicos, cursos livres, EJA, mestrado e doutorado na modalidade EAD.
Com mais de 210 mil alunos na rede de ensino, a UFEM organiza o acesso à formação superior por meio de tecnologia, inteligência de dados e parcerias estratégicas com faculdades credenciadas, responsáveis pela emissão de diplomas e certificados registrados e verificáveis. O modelo reduz burocracia, encurta o tempo até o diploma e amplia o acesso ao ensino superior com conformidade regulatória e foco nas demandas do mercado de trabalho.
Para saber mais, acesse o site ou pelo instagram.
Fontes de pesquisa
Fórum Econômico Mundial