Guará e lobo-guará: a história de um nome que preserva a memória do Cerrado

Por Gláucie Lima

Foto divulgação

No Dia do Lobo-guará, a origem do nome de uma das regiões administrativas do Distrito Federal revela a relação entre a ocupação urbana e a fauna nativa do Planalto Central

O nome Guará, conhecido por identificar uma das regiões administrativas do Distrito Federal, guarda uma ligação histórica com um dos animais mais emblemáticos do Cerrado brasileiro: o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). A relação não se limita à coincidência entre os nomes. Documentos oficiais registram que o Córrego Guará, que atravessa a região, recebeu essa denominação em referência à presença do animal, comum no Planalto Central.

De acordo com informações do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), a origem do nome da Região Administrativa está associada ao córrego que corta a área e que, por sua vez, foi batizado em homenagem ao lobo-guará. A espécie era característica da paisagem natural local antes do avanço da urbanização.

A história também é mencionada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que registra a presença frequente do animal na região antes da ocupação urbana. Assim, o nome da cidade preserva uma referência à fauna que habitava o território durante o processo de construção de Brasília e de expansão de seus núcleos residenciais.

Da paisagem natural à formação da cidade

A história do Guará começou a ganhar forma em 1967, quando trabalhadores da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) iniciaram a construção de moradias em regime de mutirão. O objetivo era abrigar trabalhadores e famílias ligados à consolidação da capital federal.

Em 1969, foi inaugurado o primeiro conjunto habitacional, que deu origem ao Guará I. A expansão continuou nos anos seguintes, com a implantação do Guará II, inaugurado em 1972. A Região Administrativa do Guará foi oficialmente criada em 1989, pela Lei nº 49, de 25 de outubro.

A denominação da cidade está ligada ao Córrego Guará, referência geográfica anterior à consolidação urbana. O curso d’água, por sua vez, remete ao lobo-guará, espécie que integrava a paisagem do Cerrado na região.

Um símbolo do Cerrado brasileiro

De pernas longas, pelagem avermelhada e orelhas grandes, o lobo-guará é o maior canídeo silvestre da América do Sul. Apesar da aparência que lembra a de uma raposa, pertence a uma espécie própria e desempenha importante função ecológica.

Sua alimentação é variada: inclui pequenos animais e frutos, entre eles os da lobeira. Ao consumir frutos e dispersar sementes, o animal contribui para a regeneração da vegetação e para o equilíbrio dos ecossistemas onde vive.

Segundo o Zoológico de Brasília, a palavra “guará” tem origem em um termo tupi associado à cor vermelha, característica marcante da pelagem do animal.

Uma identidade que merece ser preservada

A história do nome Guará mostra como elementos da natureza podem permanecer na memória de uma cidade mesmo quando a paisagem se transforma. O que antes era território de campos e vegetação nativa deu lugar a quadras residenciais, comércio, equipamentos públicos e uma comunidade urbana consolidada.

Neste Dia do Lobo-guará, recordar essa origem também é uma oportunidade de valorizar o Cerrado e refletir sobre a importância da conservação dos ambientes naturais que ainda resistem no Distrito Federal.

Mais do que identificar uma região administrativa, o nome Guará mantém viva a lembrança de um animal que faz parte da identidade ambiental do Planalto Central.

Glau na Capital — cultura, cidade e histórias que merecem ser contadas.


Fontes de pesquisa e comprovação

Reportagem elaborada com base em documentos institucionais e informações públicas sobre a história do Guará e a biologia do lobo-guará.

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