
Programação reúne artistas do Brasil, da África e da diáspora africana na Europa em uma celebração das sonoridades eletrônicas periféricas que têm marcado a trajetória do Favela Sounds desde 2016
Ao celebrar uma década de criação, o Favela Sounds, maior festival de cultura periférica do Brasil, não poderia ter só uma comemoração. Depois de reunir 25 mil pessoas entre julho e agosto na Praça do Museu Nacional da República, durante sua edição de 10 anos, o festival ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB) com o projeto Resenha Favela Sounds, que acontece dia 19 de setembro (sábado), das 22h às 05h, com foco nas pontes entre a música eletrônica periférica do Brasil, da África e de suas diásporas. O evento tem entrada franca e a retirada de ingressos será aberta somente no dia anterior (18/09), no site do CCBB Brasília (Brasília – CCBB) e na bilheteria.
Resenha Favela Sounds surge a partir de convite do CCBB Brasília após o sucesso da edição 2025 do festival, sediada no Centro Cultural. Em formato pocket para 3000 pessoas, o evento sintetiza pesquisa sobre como as pontes ancestrais entre o Brasil e o continente africano reverberam na produção musical da cultura urbana e nas pistas de dança. O Favela Sounds investiga as confluências das diásporas africanas na música periférica brasileira desde sua fundação, em 2016.
Em sua primeira Resenha, o Favela reúne representantes do afrohouse, tecno, pop-punk experimental, tribal house, vogue/ballroom, amapiano, kuduro e, como não poderia faltar, o funk em suas mais recentes vertentes, do bolha ao submundo. A proposta é aproximar as performances do público, trazendo os DJs para bem perto, em um formato mais intimista do que o do festival habitual.
A programação é encabeçada pela DJ paranaense Clementaum, um dos nomes brasileiros em forte ascensão no circuito internacional da música eletrônica. Também conhecida como La Mayor, ela traz para a pista uma mistura de funk, techno, tribal e ritmos eletrônicos latinos. Nos últimos tempos, a paranaense tem ganhado grande destaque tanto no cenário nacional quanto no internacional, passando por eventos como Primavera Sound Barcelona, Unsound Festival e Sónar Lisboa, principalmente depois de sua participação na música “SEQUÊNCIA CUNT”, um dos hits do carnaval 2026, com Pedro Sampaio, Irmãs de Pau, Mc GW e Tasha Kaiala.
Do Grajaú, em São Paulo, Katy da Voz e As Abusadas surgiram em 2019 e têm dado o tom da nova música LGBT no Brasil, em sonoridades que misturam funk, punk, pop e música eletrônica. O trabalho do trio é marcado pelo deboche e a experimentação e um de seus hits, “GORDINHA MAS TÁ BOM” furou a bolha das pistas nos últimos tempos, tornando-se hit na internet. Para a Resenha, elas devem trazer a recém-lançada “FRANKFURT”, faixa que transforma em sátira uma experiência traumática vivida durante uma tentativa frustrada de turnê pela Europa, em julho deste ano.
Também de São Paulo, natural de Diadema, DJ K, O Bruxo, é um dos principais expoentes do funk bruxaria, vertente do mandelão criada por ele e marcada por distorções, graves intensos e pelo característico “tuin”, que usa ruído agudo, estridente e contínuo. Tendo começado a carreira em 2019, aos 17 anos, no lendário Baile do Helipa, em Heliópolis, ele é referência de uma das sonoridades mais radicais do funk paulista contemporâneo e já se apresentou em festivais como o Dekmantel (Amsterdã) e no Boiler Room Los Angeles. Seu hype começa ao lançar “Pânico no Submundo”, álbum gravado em seu quarto em três dias, avaliado pelo importante site Pitchfork com nota superior a “Yellow Submarine”, dos Beatles.
Fortalecendo pontes globais, a Resenha traz ao Brasil pela primeira vez o Deejay Rifox, DJ e produtor de Lisboa com origens santomenses (São Tomé e Príncipe) em atividade desde 2015 e um dos grandes nomes da nova geração da música eletrônica na Europa. Seu trabalho mistura afrohouse, kuduro e batida, com produções de grande importância na renovação da música dos subúrbios lisboetas, marcada pelas fortes referências africanas. Em 2024, ganhou projeção com “Rebola Ti Txon”, parceria com sua mãe, Tia Vivix, e lançou o EP “Capital do Txilo”. Entre outros lançamentos estão o megahit “Tás a Tocar Bwe”, “Maz Sabi” e “Pam Pam Pam”.
Representando a vibrante cena de música eletrônica de Uganda, país situado no coração africano, Faizal Mostrixx retorna ao Favela Sounds depois de impressionar o público em sua apresentação na edição de 10 anos, em julho deste ano. Radicado no Rio de Janeiro, o DJ, produtor, dançarino e coreógrafo mistura polirritmias do Leste Africano, afro-house, amapiano, footwork e eletrônica futurista em uma sonoridade que define como “tribal electronics”. O artista já se apresentou em festivais da importância do Boom Festival, em Portugal, Roskilde, na Dinamarca e Womad, no Reino Unido.
Moesha 13 amplia o mapa sonoro da Resenha com o seu “gadjicore”, linguagem própria da artista que aproxima rap francês, hardcore techno, gabber, baile funk, kuduro, reggaeton, dembow e afrobeats. De origem malinesa e radicada em Marselha, na França, a DJ, produtora, cantora e rapper já passou pelo palco do festival Nyege Nyege, em Uganda, e por um dos espaços mais misteriosos da cena eletrônica global, o clube Berghain, em Berlim. Além disso, ela é DJ residente da rádio britânica NTS, plataforma fundamental para a cultura underground global.
O Distrito Federal também marca presença na programação com UMiranda, DJ que já passou por outras edições do Favela Sounds e agora retorna fazendo o warm-up da Resenha em um set exclusivo, em que apresentará sua pesquisa na música africana, marcada por amapiano, kuduro, afrobeats e afrohouse. À frente do Africanize Sessions, projeto que soma milhões de visualizações nas redes sociais, ele já passou por eventos como Afropunk Brasil, Ensaios da Anitta e Festival Na Praia.
Completando o line up, do Recanto das Emas, SASKIAVIBES traz para a pista uma pesquisa centrada no funk e suas diferentes vertentes, do mandelão à bruxaria, atravessadas por club music, jersey club, drum and bass e vogue. Integrante dos coletivos Incubs Nation e Fluxo, a DJ e produtora já lançou músicas e sets por selos e plataformas da Espanha, Alemanha e Reino Unido e assina trabalhos autorais como Céu Vermelho e Mandelão Experimental.
A curadoria do projeto busca diluir fronteiras entre países que, apesar de muito distantes geograficamente, têm culturas musicais de proximidades históricas. Sonoridades partilhadas entre Brasil e África remetem a tradições seculares, mas não se limitam ao passado, estando presentes nas diásporas. O barateamento dos meios de produção advindo das novas tecnologias habilitaram uma verdadeira revolução na música de países emergentes, sobretudo a partir dos anos 2000, consolidando a cultura eletrônica nestas nações como linguagem que sintetiza as identidades periféricas e ganham cada dia mais as pistas e multidões.
Resenha Favela Sounds inaugura, também, uma experiência inédita de horários no CCBB Brasília. Pela primeira vez, uma programação musical do centro cultural é apresentada das 22h até às 5h da manhã, levando a ocupação do espaço, que fecha geralmente às 21h, madrugada adentro. A proposta é criar uma atmosfera mais intensa e provocadora, em caráter de festa.
Com apresentação e patrocínio do Banco do Brasil e idealizado e produzido pela Um Nome – Agência Criativa, Resenha Favela Sounds é um projeto realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB), Governo Federal e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do DF.
ÔNIBUS GRATUITO E OFICINA TÉCNICA
Tal como no Baile do Favela Sounds, a Resenha oferece cinco rotas gratuitas de ônibus de RAs mais distantes da região central até o Centro Cultural, com inscrições prévias para acesso através das redes sociais do Favela Sounds, além de contar com uma linha de ônibus gratuito que liga o CCBB Brasília à Rodoviária do Plano Piloto ao longo de toda a noite.
De forma complementar, uma oficina de montagem de estruturas de eventos, ministrada pela produtora Kju Nova, acontece na GEAMA do Paranoá para um público formado por jovens egressos do sistema socioeducativo do DF, visando a reinserção profissional destes no mercado criativo, com direito a uma vivência de bastidores, onde os jovens poderão colocar em prática os aprendizados acumulados durante as aulas teóricas.
UMA DÉCADA DE FAVELA SOUNDS
A nova ocupação integra as comemorações de uma década do Favela Sounds, iniciadas em julho. Entre os dias 29 de julho e 1º de agosto, o festival promoveu uma série de atividades em Brasília, reunindo 25 mil pessoas presencialmente entre o Favela Talks e o Baile, realizado no Museu Nacional da República. A edição de dez anos contou com 31 apresentações artísticas, além de debates, showcases, rodadas de negócios, as gravações do podcast Favela Talks, lançado em agosto, e encontros entre artistas e representantes do mercado criativo.
SOBRE O CCBB BRASÍLIA
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizadas exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
ACESSIBILIDADE
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes.
A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso, no site, na bilheteria do CCBB ou, ainda, pelo QR Code na própria van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code, que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.
HORÁRIOS DA VAN – DE QUINTA A DOMINGO
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30
SERVIÇO
Resenha Favela Sounds
Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul
Horários: 22h às 5h
Ingressos: Liberados no dia 18/09, a partir do meio-dia, pelo site e bilheteria física do Centro Cultural
Classificação indicativa: Livre
CCBB Brasília
Aberto de terça a domingo, das 9h às 21h
E-mail: ccbbdf@bb.com.br
Informações:
Fone: (61) 3108-7600
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