
Especialista esclarece dúvidas dos tutores e dá dicas para reduzir o medo, a ansiedade e o estresse nas comemorações da Copa do Mundo
Fogos de artifício, rojões e estalinhos são tradição nas festas juninas e nos jogos da Copa, mas também estão entre os principais causadores de medo e estresse em cães e gatos. O aumento dos ruídos pode provocar tremores, tentativas de fuga, mudanças de comportamento e até problemas de saúde.
A médica veterinária e professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Rafaela Barbosa, explica o que é mito e o que é verdade quando o assunto é proteger os pets dos impactos provocados pelos estampidos.
- Algodão no ouvido ajuda?
PARCIALMENTE VERDADE. Embora o algodão possa reduzir um pouco a intensidade dos sons, ele não elimina o desconforto causado pelos ruídos e pode até incomodar alguns animais. “O algodão pode abafar parcialmente o barulho, mas não resolve o problema sozinho. O mais importante é oferecer um ambiente seguro e protegido, onde o animal se sinta confortável”, explica Barbosa. A recomendação é manter cães e gatos em ambientes fechados, com portas, janelas e cortinas fechadas para reduzir os estímulos externos. - Dar calmantes é uma boa alternativa?
MITO. Medicamentos, inclusive os considerados naturais, podem provocar efeitos adversos quando administrados sem orientação profissional. “Cada animal possui características e necessidades específicas. Qualquer medicação deve ser prescrita por um médico veterinário após avaliação individual”, alerta a especialista do CEUB. - Isolar o animal ajuda a reduzir o medo?
DEPENDE. Um ambiente tranquilo pode ajudar, mas o isolamento nem sempre é a melhor solução. “O ideal é que o animal tenha acesso a um local seguro e familiar, com a possibilidade de se esconder se desejar. A presença de uma pessoa de confiança também pode trazer mais conforto e segurança”. - Música e TV ajudam a mascarar os ruídos?
VERDADE. Música ambiente, televisão ligada ou até ruído branco podem ajudar a reduzir a percepção dos estampidos. “O objetivo é mascarar parte dos sons externos sem aumentar ainda mais os estímulos. O ideal é que o pet já esteja acostumado a esses sons antes das comemorações”, orienta a médica veterinária. - Gatos sofrem menos do que cães com os fogos?
MITO. Os gatos também são bastante sensíveis aos ruídos, mas costumam demonstrar o estresse de forma diferente. “Enquanto os cães geralmente vocalizam, tremem ou procuram os tutores, os gatos tendem a se esconder, reduzir a alimentação e ficar mais retraídos”, explica Rafaela. Em alguns casos, o estresse pode desencadear alterações urinárias e episódios de cistite idiopática felina. - Um susto pode deixar traumas duradouros?
VERDADE. Experiências negativas envolvendo explosões e estampidos podem gerar fobias e aumentar a sensibilidade dos animais a ruídos futuros. “Alguns pets desenvolvem ansiedade antecipatória e passam a reagir de forma intensa mesmo a sons menos fortes. O medo pode se tornar progressivo se não for acompanhado adequadamente”, destaca a veterinária do CEUB.
DICAS | O que fazer para proteger os pets?
A principal orientação é agir de forma preventiva, preparando o ambiente antes do início das festas ou dos jogos.
Entre os cuidados mais importantes estão:
- Manter cães e gatos em ambientes seguros e fechados;
- Disponibilizar esconderijos e locais de refúgio;
- Utilizar sons ambientes para mascarar os ruídos externos;
- Evitar medicar os animais sem orientação veterinária;
- Observar mudanças de comportamento e sinais de sofrimento;
- Buscar ajuda profissional nos casos de medo intenso ou recorrente.
Além dos cuidados adotados pelos tutores, a docente do CEUB destaca a importância da conscientização sobre os impactos dos fogos e estalinhos na saúde animal. “Nem sempre é possível evitar completamente os ruídos, mas podemos minimizar seus efeitos. O mais importante é respeitar os sinais de medo, oferecer acolhimento e buscar orientação profissional quando necessário”, conclui Rafaela Barbosa. Para animais com histórico de ansiedade ou reações intensas a barulhos, a recomendação é procurar acompanhamento veterinário antes do período de festas e comemorações.