Galeria Karla Osorio e o Instituto Empoderar convidam para evento em que apresentam as exposições individuais das artistas IAH BAHIA e SIWAJU

A Galeria Karla Osorio e o Instituto Empoderar apresenta as exposições “AMANA” e “Ainda incandescente, um vestígio no espaço”

Primeira individual das artistas IAH BAHIA e SIWAJU em Brasília. As exposiçaões reúnem conjuntos de obras inéditas que
integram pesquisa desenvolvida pelas artistas, fruto de investigações e trabalho em residência criativa na própria galeria em Brasília,
entre Janeiro e Fevereiro de 2024. Ambas as artistas tiveram o acompanhamento crítico de Melissa Alves que assina a curadoria das
exposições.

No evento de abertura haverá mesa redonda com as artistas, curadora e representante do grupo Empoderar, sobre ARTE e ENGAJAMENTO FEMININO, além música ao vivo com Jennifer Heemstra, João Marinho e Renata Torres.

Melissa Alves
Curadora

Sobre as artistas

Iah Bahia nasceu e vive em São Gonçalo, 1993 (RJ). Trabalha com diferentes materialidades, buscando a forma desde a experimentação, processo e abstração. Desenvolve sua prática-pesquisa com base na observação do espaço habitado e em sua relação transdisciplinar com a matéria-tecido, matéria-lixo, matéria-papel e outros elementos compositivos e transitórios. Suas obras evidenciam tensões e conflitos entre matéria, forma, texturas e planos cromáticos a partir de proposições imaginativas e processuais, convocando o rearranjo das matrizes polinizadoras em poéticas ecossistêmicas.

Tendo iniciado seus estudos artísticos em cursos livres na Escola de Artes Spectaculu e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, é
formada no curso técnico em Design de Moda pela Anhanguera. Atualmente, cursa a Graduação em Escultura na Escola de Belas Artes da UFRJ. Como artista selecionada, esteve presente na Elã, residência formativa no Galpão Bela Maré (2022), e no programa de
residência do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2020). Participou da coletiva “Vida transbordante e os desenhos do mundo” no
Solar dos Abacaxis (2023) e integrou a 33ª edição do programa de exposições do Centro Cultural de São Paulo (2024).

Siwaju Lima nasceu em São Paulo, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua prática artística investiga a relação do tempo com diferentes ecologias por meio do reaproveitamento de peças de ferro doadas ou encontradas. Seus trabalhos estabelecem uma relação íntima e direta com a escultura fundida, e as possíveis relações entre a matéria e os símbolos que incorpora, entre o objeto e seu entorno, entre corpo escultórico e o espaço, e entre a obra e nossos corpos, sempre numa dimensão temporal em espiral e em expansão.

Graduanda e pesquisadora em Artes Visuais na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Siwaju é artista do ateliê de escultura da EAV Parque Lage, com passagens pelo Programa Formação e Deformação, e ELÃ da E scola Livre de Artes do Galpão Bela Maré.

Entre as exposições coletivas que participou em 2023, destacam -se Direito á Forma na Galeria Fonte em Inhotim, Contra-Flecha: Arqueia, mas não quebra na Galeria Almeida e Dale (SP), Vento Pórtico: Fragmento I na Nonada (RJ).
Siwaju é uma das 5 artistas premiadas no prêmio Parque das Esculturas, Casa do Governador (ES) 2023, com a sua primeira
escultura pública e permanente OJIJI.

Texto sobre Iah Bahia:

“AMANA”

Água encantada, leve, lenta e longa. Detém em si não apenas a fluidez que escorre por entre afluentes abertos e frestas, mas também espírito e memórias ancestrais, de acordo com as palavras da ativista Guarani e pesquisadora Sandra Benites, em emocionante conversa com a artista Iah Bahia. Ao sentir que “AMANA”, ou “água que cai do céu”, em tupi-guarani, ressoa como substância catalisadora, capaz de amalgamar-se na concretude do dia a dia, Bahia toma o elemento como fio condutor nesta exposição, apresentando-o como uma entidade viva no espaço, encantando tudo o que toca. A maleabilidade da água, ora solvente, ora enchente, ora memória, desdobra-se na espiral matemática presente no universo, remodelando a rigidez binária das grides ortogonais, através de sua influência. A artista observa Brasília e reflete sobre lembranças colonizantes que assombram a história, revelando, por gotas d’água solúveis, personagens ocultos nos processos de construção. Afinal, muitas dessas águas estiveram ali: seja na presença, misturando-se ao concreto armado dos eixos monumentais; seja na ausência, devido ao assoreamento de lagos que sofrem com os impactos ambientais; seja no retorno, quando o líquido volta ao solo da capital, renovando ciclos de fertilidade após meses de expectativa. Assim, como agente transformador e testemunha da evolução urbana, para Iah Bahia, o componente ultrapassa a função material.
Melissa Alves
Curadora

Texto sobre SIWAJU

“Ainda incandescente, um vestígio no espaço”

A ambiguidade no efêmero rastro de uma estrela cadente, com seu brilho fugaz que deixa marcas presentes pelos céus pode ser comparada à durabilidade da memória coletiva. Tal assertiva ganha relevância ao refletirmos sobre os eventos vivenciados por pessoas negras em diáspora ao longo dos séculos, que ecoam no Cosmos até os dias atuais. A memória, neste contexto, existe no hoje, mas habita um outro tempo. Em “Ainda incandescente, um vestígio no espaço”, a artista visual Siwaju investiga os resquícios deixados no espaço da história, questionando a fugacidade de momentos que reluzem antes de se dissipar e deixar rastros em meio à infinitude do universo. E, de fato, tais momentos se dissipam, ou convertem-se em memórias imortais da imagem? Cristina Sharpe discorre sobre o “aspecto da existência Negra no vestígio como consciência” (2023), indicando que existir e ser o próprio vestígio significa estar imerso na conexão entre eventos passados e ocupada pelo presente mutável dos desdobramentos ainda não resolvidos do colonialismo, que precisam ser oxidados. Percorrendo suas formas sinuosas, a artista confronta a narrativa do tempo linear colonizante, explorando nas quinas, pontas e curvas de seus objetos labirínticos as estratégias que a negridade precisou traçar para sobreviver e prosperar. Assim, Siwaju não aborda apenas as adversidades e mazelas impostas a esses corpos, mas também a presença de desejos e conquistas. Suas esculturas constroem transmutações a partir destes vestígios presentes no imaginário da população negra. Em suas obras, destacam-se os resquícios que caem e passam despercebidos, mas que precisam ser observados com minúcia para se compreender as possibilidades de vivências futuras. Seus trabalhos sugerem uma suspensão temporal que desafia noções de perigo, desejo e cura, incitando Siwaju a criar caminhos escultóricos para encontrar os começos-meio-começos de ancestralidade, propondo novas visualidades onde o mistério e o desejo de descoberta se entrelaçam, gerando fontes de resiliência, cura, emancipação e mirações. Há sempre a oportunidade de nos reencontrarmos no curso do tempo.
Melissa Alves Curador

Sobre a galeria

Galeria Karla Osorio
Criada em 2016, a galeria Karla Osorio atua para inserção de artistas contemporâneos no mercado e na cena institucional. Privilegia a
produção mais inovadora em arte, com programa de exposições temporárias que fomenta várias linguagens e técnicas. Representacartistas brasileiros e estrangeiros.

Participa de feiras de arte, sendo a única galeria de Brasília em algumas das melhores feiras do mundo em cidades como Basiléia, Chicago, México, Miami, Nova Déli, Nova York, Punta (Uruguai), além de Rio de Janeiro e São
Paulo. Apoia pesquisas e projetos inovadores, tem programa de cursos, palestras, parcerias com outros espaços e instituições, além de
intervenções no espaço público.

Desenvolve projetos com curadores visitantes e oferece residência artística com atelier, em espaço privilegiado. Atua também no mercado secundário. Além da sede em Brasília, amplo espaço expositivo no Lago Sul, com pavilhões e
área externa, possui escritório em São Paulo.

Serviço:

Abertura sábado, dia 03 de fevereiro, BRUNCH entre 11-15h

Pavilhão I e II, Galerias 1, 2, 3, 4 e 5 + pátio e jardins
Em cartaz até 18 de março de 2024
Visitação: segunda a sexta, 9h- 18h30, sábados 9h-14h30
A entrada é gratuita, mediante agendamento prévio por telefone, email, DM no Instagram ou WhatsApp ou por meio do formulário: https://form.jotform.com/240285647876066

⚠️O campo “telefone” no formulário precisa informar com DDI e DDD

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