“Entre Terras e Memórias”: Simone Oliveira apresenta sua primeira exposição individual em Brasília

Foto divulgação

Artista mineira, criada entre as paisagens de uma fazenda de café em Patrocíni( MG), reúne cerca de 25 pinturas figurativas e abstratas na Mercato Antiguidades + Arte + Design

A relação de Simone Oliveira com a pintura nasceu em meio às paisagens de uma fazenda de café em Patrocínio, na região do Alto Paranaíba, no interior de Minas Gerais. Cercada desde a infância pela natureza e por uma história familiar ligada à terra, a artista encontrou nas telas, ao longo dos anos, uma maneira de transformar
lembranças, sentimentos e experiências em cores e formas. Essa trajetória chega agora a Brasília com a exposição “Simone Oliveira. Entre Terras e Memórias”, sua primeira individual na capital, que será inaugurada no dia 29 de outubro, na Mercato Antiguidades + Arte + Design.


A mostra reúne cerca de 25 pinturas, entre trabalhos figurativos e abstratos, revelando diferentes momentos da produção da artista. A exposição também marca uma nova etapa em sua trajetória, iniciada de maneira intuitiva ainda na adolescência, quando aos 16 anos deu suas primeiras pinceladas, e desenvolvida paralelamente às atividades profissionais que exerceu durante anos na administração da fazenda de café da família. “Quando eu começo a pintar, algo em mim silencia. Eu me conecto com a tela de um jeito que nem sempre consigo explicar. É como se, por algumas horas, o mundo lá fora deixasse de existir e ficassem apenas eu, as cores e tudo aquilo que estou sentindo”,conta Simone.


Aos 26, Simone começou a levar a pintura mais a sério e passou a experimentar uma linguagem mais abstrata, encontrando na pintura um espaço de liberdade e expressão.Durante muito tempo, a atividade artística permaneceu como uma forma de relaxamento, dividindo espaço com o trabalho administrativo na propriedade rural da família. A profissionalização veio gradualmente, acompanhando o amadurecimento de sua linguagem.


A escolha do título “Entre Terras e Memórias” estabelece uma relação direta com essa trajetória. Simone nasceu em uma região marcada pela produção de café e pertence a uma família com raízes portuguesas e italianas que se estabeleceram no Alto Paranaíba ao longo de gerações. Seus antepassados chegaram à região de Serra do
Salitre, então pertencente a Patrocínio, em busca de terras e oportunidades de prosperidade. A história familiar se entrelaça, assim, à própria formação do território mineiro, às fazendas e às paisagens que fizeram parte da experiência da artista.Mais do que uma referência biográfica, essa memória da terra aparece em sua produção
como matéria sensível. A paisagem, as lembranças e as emoções se misturam em obras que transitam entre a figuração e a abstração, sem uma fronteira rígida entre as duas linguagens.


“Nem sempre eu sei exatamente aonde a obra vai me levar. Eu começo e permito que ela aconteça. Cada incelada carrega um pouco de mim: às vezes é força, outras vezes,

saudade, alegria, ansiedade e memórias… muitas memórias. E, aos poucos, aquilo que estava apenas dentro de mim ganha cor e forma”, afirma a artista.Embora tenha realizado sua primeira exposição ainda em 1998, em um evento promovido pelas Embaixadas do Canadá e dos Estados Unidos, em Brasília, Simone manteve durante anos uma relação mais reservada com a produção artística. Em 2024, participou de uma exposição no Sesc, em Belo Horizonte. No ano seguinte, realizou sua primeira exposição individual, em Uberlândia, e aprofundou sua formação em curso com a artista plástica Lari Lamaste, na Arte Academy.


A chegada de Simone à cena artística brasiliense representa, portanto, não apenas uma nova exposição, mas a apresentação de uma trajetória construída lentamente, entre o cotidiano da vida rural, a memória familiar e a necessidade pessoal de pintar.“Pintar, para mim, é mais do que criar uma obra. É me encontrar. É me ouvir sem
precisar dizer uma palavra”, resume Simone.


“Simone Oliveira. Entre Terras e Memórias” será inaugurada em 29 de outubro, na Mercato Antiguidades + Arte + Design, em Brasília. A exposição reúne aproximadamente 25 obras e apresenta ao público uma produção marcada pelo diálogo entre paisagem, memória, afetos e diferentes possibilidades da pintura contemporânea.

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