
Na expectativa para a Copa do Mundo Feminina de 2027, a trajetória da Rede Gol mostra como projetos sociais se consolidam como base na formação de atletas para o alto rendimento, e abrem caminhos para meninas dentro e fora dos campos
Quando o Brasil receber, pela primeira vez, a Copa do Mundo Feminina, em 2027, uma geração de meninas que hoje treina em campos e quadras de projetos sociais espalhados pelo país poderá enxergar no maior torneio da modalidade novas referências e possibilidades. No Distrito Federal, 487 delas, com idades entre 6 e 24 anos, já fazem parte dessa história. São atendidas gratuitamente pela Rede Gol, iniciativa executada pelo Instituto Elas Transformam, que utiliza o futebol e o futsal como portas de entrada para formação, acesso a direitos, fortalecimento de vínculos e construção de novas perspectivas de vida.
A história começou muito antes de o Brasil ser escolhido para sediar o campeonato. Criada em 2012, a Rede nasceu atendendo a cerca de 70 crianças e adolescentes encaminhados por sete instituições de acolhimento. O futebol logo se tornou o principal eixo de aproximação. “Com o crescimento da demanda, a atuação, inicialmente concentrada no Plano Piloto, avançou para outras regiões do Distrito Federal, especialmente comunidades mais vulneráveis. Em 14 anos, a iniciativa já alcançou mais de 7 mil jovens, sendo 3.750 meninas”, afirma Deiza Leite, presidente da Rede.
O que começou como um trabalho social de acolhimento pelo esporte ganhou novas dimensões. Hoje, a Rede Gol mantém treinos todos os dias da semana, em diferentes regiões do DF, nas modalidades futebol de campo e futsal. O atendimento é 100% gratuito e inclui uniformes de treino e jogo, lanches, chuteiras e acompanhamento multidisciplinar nas áreas de educação física, nutrição, psicologia, direito e serviço social.
A organização disputa campeonatos federados e é clube federado no futebol e no futsal femininos do Distrito Federal. O trabalho de formação já vem abrindo caminho para atletas em equipes de maior projeção, entre elas Analu Fonseca Melo (Ferroviária Sub-20), Clara Isabella de Barros (Corinthians Sub-17), Isabela Cordeiro (Ferroviária Sub-15), Isabela Jardim (Corinthians Sub-15), Isabella Pereira e Larissa Motta (Osasco Audax), Isadora Rodrigues (Corinthians Sub-15), Larah Araújo (Ação SAF Mato Grosso Sub-20), Manuela Lopes (Corinthians Sub-17), Maria Eduarda Landim (Ação SAF Mato Grosso Sub-20) e Sarah Rocha (Criciúma Sub-15). A trajetória do projeto inclui ainda atletas encaminhadas para equipes universitárias dos Estados Unidos, ampliando as possibilidades de continuidade no esporte também fora do país.
A força dos projetos sociais
A trajetória da Rede Gol ajuda a dimensionar um movimento que acontece longe dos holofotes dos grandes campeonatos. Dados da Rede CT – Capacitação e Transformação, iniciativa que prepara organizações sociais esportivas para acessar a Lei Federal de Incentivo ao Esporte (LIE), mostram que 316 organizações participantes desenvolvem atividades ligadas ao futebol. Juntas, impactam mais de 218 mil pessoas e seus projetos da modalidade já captaram R$23,6 milhões.
“A mentoria com a Rede CT foi muito importante para nos orientar sobre as possibilidades de captação por meio da Lei de Incentivo ao Esporte e para que pudéssemos atuar de forma mais profissional nessa frente. Já temos um projeto aprovado para captação no Distrito Federal e estamos em fase de aprovação de outro junto ao Ministério do Esporte. É um caminho com potencial para abrir novas possibilidades e dar sustentabilidade ao programa, manter o trabalho que já realizamos e ampliar o número de meninas atendidas”, afirma Deiza.
Muito além dos grandes torneios, o futebol segue como uma das maiores paixões nacionais e uma ferramenta de inclusão, educação e cidadania. A Rede CT atua nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste capacitando organizações da sociedade civil para estruturar projetos, acessar recursos da Lei de Incentivo ao Esporte e ampliar seu impacto nas comunidades.
Das organizações que integram a Rede CT, 39,6% desenvolvem atividades ligadas à modalidade, seja como atividade principal ou entre suas ações esportivas. Desde a criação da Rede CT, em 2024, os projetos de futebol desenvolvidos por organizações capacitadas pela iniciativa já captaram R$ 23,6 milhões por meio da LIE — o equivalente a 11,14% de todo o recurso captado por projetos de futebol nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Entre todos os projetos dos cursistas da Rede CT, o futebol representa 59% do volume total de recursos captados.
Outro indicador confirma a força da modalidade: são 88 projetos de futebol aprovados, que somam R$ 70,3 milhões, ou 23,3% dos projetos da modalidade aprovados nas três regiões. Desse total, 18,7% pertencem a organizações que passaram pela formação oferecida pela Rede CT.
Sobre a Rede CT – Capacitação e Transformação
A Rede CT – Capacitação e Transformação nasce da união de mais de 20 anos de experiência do Instituto Futebol de Rua em desenvolvimento e captação de recursos com a Rede Igapó em projetos incentivados. A iniciativa conta com o Itaú como patrocinador master, além do patrocínio da B3 e do Instituto Aegea, e tem como objetivo capacitar empreendedores sociais esportivos para o uso da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, apoiando programas que utilizam a prática esportiva como ferramenta de transformação social.
Serviço
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