
Dirigido por Miguel Antunes Ramos e produzido pela Enquadramento Produções e pela Esquina Filmes, em parceria com o Canal Curta!, o longa parte de mais de 4 mil vídeos publicados no YouTube do ex-presidente para investigar o papel das imagens na construção do poder e na ascensão da extrema-direita
O documentário Dragões, de Miguel Antunes Ramos, acaba de ser anunciado na competição da Première Brasil da próxima edição do Festival do Rio, que acontece de 1 a 11 de outubro. A partir dos mais de 4 mil vídeos publicados por Jair Bolsonaro no YouTube e outras redes sociais, desde quando era um desconhecido deputado até a frustrada tentativa de golpe, o filme analisa como as imagens contribuíram para a construção de sua imagem política, para entender sua meteórica trajetória até a Presidência da República e as estratégias de comunicação da extrema-direita.
“Esse filme começou diante das mudanças profundas que o Brasil enfrentou a partir de 2018. Nesse processo, surgiu uma nova forma de fazer política através das imagens: uma produção aparentemente improvisada, tosca ou casual, mas que possuía estratégia, planejamento e organização. O filme nasce de um olhar para essa produção imagética buscando a levar a sério, e perguntar: o que se passa quando as imagens deixam de apenas representar o poder e passam a ser uma de suas principais formas de exercício?”, diz Miguel Ramos sobre suas motivações para realizar o filme.
Dragões coloca esse material em diálogo com imagens produzidas em outros momentos da história brasileira. Entre elas, está “Independência ou Morte”, célebre pintura de Pedro Américo. Realizada décadas depois do 7 de Setembro de 1822, a obra ajudou a fixar no imaginário nacional uma versão grandiosa e heroica da declaração da Independência por Dom Pedro I, ainda que guarde pouca proximidade com os acontecimentos reais daquela data.
“Quando Miguel nos procurou, há quase uma década, para fazer este filme, eu não conseguia enxergar as articulações que ele via naquele material do Bolsonaro. Ao longo dos anos, ele foi nos mostrando os pontos de conexão, revelando como aquelas imagens, que à primeira vista pareciam espontâneas e difusas, partiam de uma construção muito precisa e deliberada. Durante o roteiro e a montagem, Miguel foi revelando a lógica por trás das imagens e nos fazendo perceber que o poder estava sendo construído diante dos nossos olhos.” diz Julia Murat, da Esquina Filmes.
A partir de uma extensa pesquisa sobre as imagens produzidas pelo poder no Brasil, realizada ao longo de quase 10 anos, Miguel Antunes Ramos percorre diferentes períodos da história do país, das ditaduras aos governos mais recentes, em busca do que muda — e do que permanece — nessas representações. Ao aproximar imagens separadas por décadas e até séculos, Dragõesinvestiga não apenas o que elas mostram ou escondem, mas como ajudam a construir o próprio poder.
“Dragões chega ao público no calor de um momento histórico em que essa reflexão se tornou urgente. No Brasil e em diferentes partes do mundo, a extrema-direita transformou as redes sociais em um espaço central de disputa política, mudando não apenas a forma de se comunicar, mas também de construir vínculos e mobilizar eleitores. Entender como essas imagens e estratégias produzem identificação e poder é fundamental para que possamos construir formas efetivas de enfrentá-las”, afirma Leonardo Mecchi, da Enquadramento Produções.
O filme foi realizado através de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, em parceria com o Canal Curta!, e será posteriormente distribuído em salas de cinema pela Descoloniza Filmes.
SINOPSE
Dragões mergulha nas imagens que moldaram o mito político de Jair Bolsonaro, de seus primeiros vídeos no YouTube até o fim de seu mandato. Ao longo de noites em claro, um narrador deriva pelo fluxo de lives, selfies e discursos de Bolsonaro, em busca da lógica de um poder forjado nas imagens e através delas. Ao confrontar esse regime visual com a iconografia oficial brasileira, o filme investiga como o poder é entendido, repetido e afirmado através das imagens, em uma época em que a política se dá cada vez mais nas telas.
SOBRE O DIRETOR
Miguel Antunes Ramos é cineasta, roteirista e montador, formado em Audiovisual pela ECA-USP. Seu trabalho investiga temas como as transformações das paisagens urbanas e a permanência da violência histórica. Dirigiu curtas como E (2014), exibido no Festival de Roterdã e vencedor do prêmio de melhor filme na Mostra de Tiradentes e no É Tudo Verdade; A Era de Ouro (2014), indicado ao Prêmio Grande Otelo e premiado em Melhor Montagem no Janela Internacional de Cinema de Recife; e O Castelo (2015), premiado no Kinoforum. Estreou na direção de longas com Banco Imobiliário (2016), que teve sua première na Mostra Tiradentes, seguido por Filhos de Macunaíma (2019), A Flecha e a Farda (2020) e A Voz de Deus (2025), Prêmio Especial do Júri no Festival de Málaga, na Espanha, e de Melhor Montagem no Festival Olhar de Cinema de Curitiba. Dragões (2026) é seu sexto longa-metragem.
FILMOGRAFIA
2012 – Um, Dois, Três, Vulcão – curta
2013 – Salomão – curta
2014 – A Era de Ouro – curta
2014 – E – curta
2015 – O Castelo – curta
2016 – Banco Imobiliário – longa
2017 – Operações de Garantia da Lei e da Ordem – longa, codirigido por Júlia Murat
2016 – Comissão de Vendas – curta
2019 – Filhos de Macunaíma – longa
2020 – A Flecha e a Farda – longa
2022 – Ensemble – longa coletivo
2025 – A Voz de Deus – longa
2026 – Dragões – longa
FICHA TÉCNICA
Gênero | documentário
Empresas Produtoras | Enquadramento Produções, Esquina Filmes
Duração | 84 minutos
País e Ano de Produção | Brasil, 2026
Direção e Narração | Miguel Antunes Ramos
Argumento | Guilherme Giufrida, Miguel Antunes Ramos
Roteiro | Guilherme Giufrida, Iris Junges, Letícia Simões, Matheus Nery, Miguel Antunes Ramos, Vicente Antunes Ramos
Produção | Leonardo Mecchi, Julia Murat
Produção Executiva | Julia Murat, Isabel Lessa, Leonardo Mecchi
Pesquisa | Patrícia Machado
Fotografia | Léo Bittencourt
Montagem | Alexandre Leco Wahrhaftig
Trilha Sonora Original | Kiko Dinucci, Podeserdesligado
Som Direto | Francisco Craesmeyer, Tomas Franco
Desenho de Som | Henrique Chiurciu, João Victor Coura
Mixagem de Som | Fernando Henna, Daniel Turini
SOBRE AS PRODUTORAS
ENQUADRAMENTO PRODUÇÕES
A Enquadramento Produções é uma produtora cinematográfica sediada em São Paulo, com quase 20 anos de atuação no desenvolvimento e produção de longas-metragens de ficção e documentário, com forte vocação para obras autorais, coproduções internacionais e diversidade de vozes e temas. Em sua filmografia destacam-se títulos como Los Silencios, de Beatriz Seigner, A Febre, de Maya Da-Rin, O Estranho, de Flora Dias e Juruna Mallon, e A Transformação de Canuto de Ariel Ortega e Ernesto de Carvalho, entre outros, selecionados e premiados em importantes festivais internacionais, como Cannes, Berlinale, Locarno, Rotterdam, Toronto, San Sebastián e IDFA.
Sua mais recente produção, Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah (coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega), realizada em coprodução com a Bubbles Project, recebeu o Prêmio do Júri da mostra Un Certain Regard na última edição do Festival de Cannes. Atualmente, a Enquadramento Produções mantém uma ampla carteira de projetos em desenvolvimento com perfil autoral e internacional e encontra-se em pós-produção do longa Alvorada, de Leonor Noivo (coprodução com a produtora portuguesa Terratreme).
ESQUINA FILMES
ESQUINA é uma produtora audiovisual sediada no Rio de Janeiro, com 15 anos de atuação. Entre seus filmes estão “NARCISO”, vencedor do prêmio FIPRESCI no Festival de Berlim de 2026 e “AS HERDEIRAS”, vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção e Melhor Atriz no Festival de Berlim de 2018, ambos dirigidos por Marcelo Martinessi; “REGRA 34”, vencedor do Leopardo de Ouro de Melhor Filme no Festival de Locarno de 2022 e “PENDULAR”, vencedor do prêmio FIPRESCI no Festival de Berlim de 2017, ambos dirigidos por Julia Murat.
Na área de documentários, produziu “SATÉLITES”, de Leo Bittencourt, “EXCELENTÍSSIMOS”, de Douglas Duarte, e “OPERAÇÕES DE GARANTIA DE LEI E DA ORDEM”, codirigido por Julia Murat e Miguel Ramos. Foi também produtora associada de “A FEBRE”, de Maya Da-Rin, vencedor do Prêmio de Melhor Ator no Festival de Locarno 2019, e “A VIDA PRIVADA DOS HIPOPÓTAMOS”, de Matias Mariani e Maíra Bühler, estreado no FID Marseille 2014.
CANAL CURTA!
O canal Curta! está presente nas residências de mais de 5 milhões de assinantes de TV paga e pode ser visto nos canais 556 da Claro tv, 75 da Oi TV e 664 da Vivo Fibra; além de em operadoras associadas à NEO. O canal integra o Grupo Curta, formado também pelas marcas CurtaOn, Brasiliana TV, Porta Curtas, CurtaEducação e Curta! Cine-Distribuidora.
O CurtaOn – Clube de Documentários está disponível no Prime Video Channels, na Claro tv+, e no site da plataforma, contando com centenas de filmes e episódios de séries documentais organizados por temas de interesse sobre cultura e humanidades. O streaming Brasiliana TV é disponibilizado gratuitamente para os assinantes da Claro tv+ e oferece uma ampla gama de séries e filmes brasileiros, de ficção a documentários, desde clássicos a produções recentes. O Porta Curtas é o primeiro e maior site de catalogação e exibição de curtas-metragens do Brasil, com um acervo formado por clássicos do cinema nacional e obras recentes que se destacaram em festivais. O CurtaEducação é uma plataforma de streaming que une educação e entretenimento para promover ciência e cultura por meio do audiovisual. E a Curta! Cine-Distribuidora visa ampliar a atuação do grupo no mercado audiovisual brasileiro, oferecendo apoio estratégico para promover a circulação de filmes e séries nacionais em diferentes janelas de exibição: cinema, TV, streaming, plataformas digitais, circuitos culturais e educativos.
DESCOLONIZA FILMES
A Descoloniza Filmes é uma distribuidora e produtora audiovisual independente sediada em São Paulo, fundada em 2017 por Ibirá Machado. Desde 2018, atua no lançamento e circulação de filmes autorais brasileiros e do sul global, com foco em obras de relevância social, política e cultural. Seu catálogo reúne longas exibidos e premiados em importantes festivais nacionais e internacionais, como Cannes, Berlim, Rotterdam, É Tudo Verdade e Festival de Brasília, além de circulação comercial em salas de cinema, plataformas digitais e televisão. Entre os títulos lançados estão Carta Para Além dos Muros, de André Canto (Top 10 Netflix Brasil), Aleluia, o Canto Infinito do Tincoã, de Tenille Barbosa, Para Onde Voam as Feiticeiras, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos, de Daniela Broitman, Máquina do Desejo, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro, Luz nos Trópicos, de Paula Gaitán, Incompatível com a Vida, de Eliza Capai, Thiago & Ísis – Os Biomas do Brasil, de João Amorim, Neirud, de Fernanda Faya, e Rejeito, de Pedro de Filippis. Em 2026, a Descoloniza já lançou nos cinemas as obras Cheiro de Diesel, de Gizele Martins e Natasha Neri, Anatomia do Caos, de Dandara Ferreira, A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, e Não Existe Almoço Grátis, de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, além de estar preparando os lançamentos de Peixe Abissal, de Rafael Saar, e Filhas da Noite, de Sylara Silvério e Henrique Arruda. A empresa também atua em coproduções e projetos de impacto, articulando distribuição, formação de público e estratégias de circulação em diferentes territórios.