
Psicóloga do CEUB alerta para os impactos da sobrecarga e defende uma maternidade mais real e compartilhada
A imagem da mãe como símbolo de força incondicional volta ao centro do debate. Por trás da chamada “supermãe”, a realidade revela um cenário mais complexo: 9 em cada 10 brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental, segundo levantamento das plataformas B2Mamy e Kiddle Pass. De acordo com a professora de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Ludymila Santana, a pressão social por uma maternidade idealizada está entre os principais gatilhos do adoecimento.
“Existe uma expectativa de que a mãe dê conta de tudo sozinha e com excelência. Esse modelo romantizado não corresponde à realidade e acaba gerando sofrimento psíquico, culpa e uma sensação constante de inadequação”, revela. A especialista explica que o burnout parental se manifesta de diferentes formas, com sintomas físicos como cansaço constante, falta de disposição, dores de cabeça, dores musculares e tensão corporal.
No campo cognitivo, surgem esquecimentos frequentes e dificuldade de concentração. Já os sinais emocionais incluem insônia, irritabilidade, muitas vezes direcionada aos filhos (mesmo sem intenção), sentimento de culpa e a sensação persistente de insuficiência. Em quadros mais intensos, a mãe pode apresentar cansaço extremo e desejo de “sumir por alguns instantes” como forma de aliviar a sobrecarga.
Redes sociais ampliam a sensação de inadequação
A influência do ambiente digital agrava o problema ao reforçar padrões irreais de maternidade, com rotinas organizadas, filhos tranquilos e mães sempre bem-dispostas. “Esse recorte idealizado cria uma comparação constante. Muitas mulheres passam a questionar se estão fazendo o suficiente ou da forma correta, o que intensifica o sentimento de inadequação”, afirma Ludymila. A recomendação, segundo a docente do CEUB, não é abandonar as redes, mas desenvolver um olhar mais crítico. “É importante entender que cada experiência é única e atravessada por diferentes realidades.”
Rede de apoio é decisiva
A campanha Maio Furta-Cor propõe olhar para o bem-estar emocional de quem cuida. A ausência de suporte pode agravar quadros de ansiedade e depressão, sobretudo em situações de maternidade solo ou quando não há divisão equilibrada das tarefas. “Cuidar de quem cuida precisa ser uma prioridade coletiva. A maternidade não deve ser vivida de forma solitária ou sobrecarregada. É preciso compartilhar responsabilidades e reconhecer limites para uma vivência mais saudável”, destaca a professora.
Além do suporte externo, a especialista do CEUB recomenda às mulheres revisar as expectativas, especialmente aquelas que entram na maternidade com ideais rígidos ou sem planejamento. “É fundamental ajustar o que se espera da maternidade ao que é possível viver. A culpa paralisa, enquanto a responsabilidade pode levar à ação e à busca por mudanças”, finaliza Ludymila Santana.
Como aliviar a sobrecarga materna
Confira orientações da docente do CEUB para uma maternidade mais leve:
- Dividir responsabilidades: compartilhar tarefas domésticas e cuidados com os filhos reduz a sobrecarga.
- Reconhecer limites: aceitar que não é possível dar conta de tudo o tempo todo diminui a pressão interna.
- Buscar rede de apoio: familiares, amigos e profissionais podem contribuir para o equilíbrio emocional.
- Reservar tempo para si: o autocuidado é uma necessidade, não um luxo.
- Evitar comparações: cada maternidade é única e não deve ser medida por padrões idealizados.
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