A partir de 1958, retorno ao poder do general de Gaulle, até 1969, data de sua partida após a renúncia do chefe de Estado, derrotado em um referendo, André Malraux foi o primeiro Ministro dos Assuntos Culturais da França. Graças a um entendimento excepcional com o general, que tinha perfeitamente compreendido como colocar a genialidade do escritor a serviço de sua política, e lhe deixou uma total liberdade, Malraux iniciou uma política cultural muito ambiciosa no país e a serviço de sua posição – então muito prestigiosa – na cena internacional. Ele chegou a desempenhar várias vezes o papel de enviado especial, de um embaixador de luxo. Escritor fascinado pela ação, ao serviço de uma política fascinada pela história e pela literatura. Estes dois últimos bem se encontraram.
Conhecemos as grandes etapas do percurso ministerial de Malraux: o discurso de Brasília, em 25 de agosto de 1959, é um dos primeiros. Ele se especializou em pronunciar discursos marcantes, em circunstâncias excepcionais e em situações de prestígio: como frente à Acrópole de Atenas, também em 1959, iluminada pela primeira vez. Ele também reinventou as “orações fúnebres”, como a pela morte de seu amigo, o pintor Georges Braque, em 1963, ou a panteonização de Jean Moulin, em 1964. Depois dele, o gênero conheceu uma certa posteridade, mas hoje são os próprios Presidentes da República que oficiam e encarnam “aos grandes homens, a Pátria agradecida”.
Desde a sua saída, nenhum outro ministro da Cultura, quaisquer que tenham sido as suas qualidades, conseguiu igualar ou substituir Malraux. Pois, quando ele falava, era toda a história da França que percorria, encarnava e se oferecia ao mundo em partilha, em estilo e com um sopro épico que só um grande escritor podia assumir.
Jean-Claude Perrier
Escritor-jornalista, conselheiro literário, Jean-Claude Perrier realiza numerosas missões culturais em diferentes âmbitos institucionais, principalmente na Índia. É autor de uma obra abundante e diversificada, centrada em torno de temas recorrentes, entre os quais André Malraux. Ele dedicou-lhe várias obras: André Malraux e a tentação da Índia (Embaixada da França na Índia / Gallimard, 2004), e André Malraux e a Rainha de Sabá (Le Cerf, 2016, retomado com a Lexio em 2026). Malraux também faz parte de seu ensaio Como Bárbaros na Índia (Fayard, 2014). Jean-Claude Perrier participa ativamente das atuais comemorações do Cinquentenário do falecimento de André Malraux, ocorrido em 23 de novembro de 1976.
Serviço
Palestra de Jean-Claude Perrier
Auditório Roberto Salmeron
Faculdade de Tecnologia, UnB
3 de junho de 10h às 12h
Entrada Franca