Verdade Moldada entra em seus últimos dias no Espaço Oscar Niemeyer

Foto divulgação

Exposição da artista nipo-brasileira Akimi Watanabe segue em cartaz até 12 de maio e propõe reflexão sobre padrões sociais, corpo e pertencimento

A exposição Verdade Moldada, da artista nipo-brasileira Akimi Watanabe, entra em seus últimos dias em cartaz no Espaço Oscar Niemeyer. Em exibição até 12 de maio, a mostra convida o público a uma reflexão sensível e provocadora sobre os padrões sociais que atravessam o corpo, o feminino e as dinâmicas de pertencimento: uma oportunidade final para vivenciar a experiência.

Radicada em Brasília e filha de pioneiros japoneses na capital, Watanabe parte da história dos “pés de lótus”, prática milenar chinesa que mutilava mulheres em nome de um ideal de beleza, para lançar uma pergunta urgente: até que ponto seguimos permitindo que estruturas sociais moldem nossos corpos e nossas escolhas?

A partir desse recorte histórico, a artista evidencia como, na China imperial, um complexo sistema de valores culturais, filosóficos e econômicos, associado a status e elegância, submetia meninas a dores extremas e a uma vida limitada, transformando-as, literalmente, em objetos decorativos. A reflexão, no entanto, ultrapassa o passado e se projeta diretamente sobre o presente.

Com cerca de 100 desenhos em nanquim, além de colagens digitais, instalações, objetos e esculturas, a artista constrói uma narrativa que instiga o público a refletir: até quando a validação social seguirá sendo parâmetro para transformações do corpo? Em que medida ainda nos moldamos para caber, pertencer ou sermos vistos?

Com curadoria de Rogério Carvalho, a exposição propõe um deslocamento do olhar, convidando o visitante a identificar mecanismos contemporâneos que reproduzem, sob novas formas, antigas violências simbólicas. Redes sociais, padrões estéticos e discursos normativos surgem como possíveis equivalentes dos “pés de lótus” na pós-modernidade.

Watanabe não denuncia apenas um passado oriental, ela desmonta a ideia confortável de distância. Ao trazer para o contemporâneo equivalências simbólicas do foot binding, a artista desloca o eixo da discussão. Não se trata de outras culturas, mas de um sistema global de moldagem do feminino, que persiste sob novas linguagens, mais sutis, porém igualmente coercitivas”, observa o curador.

Ao tensionar essas camadas, a artista aponta para uma distopia silenciosa: a crença na autonomia individual dentro de sistemas sutis de controle. Nesse contexto, reforçando que o corpo da mulher segue sendo território de disputa histórica, social e simbólica, ecoa a afirmação da ministra do STF, Cármen Lúcia: “não fomos silenciosas, fomos silenciadas”. 

DEPOIMENTO DE AKIMI WATANABE destacando a experiência da exposição, a recepção do público e o impacto das reflexões propostas

Mais do que revisitar um episódio do passado, Verdade Moldada se apresenta como um convite à consciência crítica: um exercício de percepção sobre as forças que ainda hoje influenciam, limitam e redefinem quem somos.

SERVIÇO
Exposição: Verdade Moldada
Artista: Akimi Watanabe
Local: Espaço Oscar Niemeyer
Data: de 9 de abril a 12 de maio
Horário: De terça a sexta — das 9h às 18h/ Sábado domingo — das 9h às 17h

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