Especialista do CEUB explica como o doce pode fornecer energia para os exercícios, com atenção ao gasto calórico, e o que fazer para equilibrar excessos
A Páscoa costuma alterar a rotina alimentar, inclusive de quem mantém os treinos em dia. A boa notícia é que o chocolate não precisa sair do cardápio — desde que consumido com estratégia. A doutora em Neurofisiologia e professora de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Leandra Batista, explica que o doce pode, sim, contribuir para o desempenho físico.
Segundo a especialista, o chocolate, especialmente com maior teor de cacau, pode funcionar como fonte rápida de energia antes do treino. “O chocolate é rico em carboidratos, que são a principal fonte de energia durante o exercício. Em pequenas quantidades, pode ser utilizado no pré-treino para melhorar o rendimento”, afirma.
Além disso, o chocolate amargo apresenta compostos que podem trazer benefícios adicionais. “Os flavonoides presentes no cacau podem estimular a produção de óxido nítrico, favorecendo a vasodilatação e o aumento do fluxo de oxigênio para os músculos. Isso pode contribuir para a resistência e o desempenho físico”, explica.
Estudos recentes também reforçam esse potencial. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista Applied Sciences, da Universidade de Bolonha, identificou que o consumo de chocolate amargo pode estar associado à redução de dores musculares e melhora no desempenho em atletas. Apesar dos benefícios, o consumo exige atenção. “O ideal é optar por chocolates com maior teor de cacau e consumir pequenas porções entre 30 e 60 minutos antes do treino. O excesso pode causar desconforto e prejudicar o desempenho, principalmente devido à quantidade de gordura”, orienta.
Leandra reforça que o chocolate não deve ser visto como vilão, mas inserido em um contexto equilibrado. “O mais importante é a consistência dos hábitos ao longo do tempo. É possível aproveitar a Páscoa sem comprometer a saúde ou o desempenho”, finaliza.
Exagerou? Veja como equilibrar
Para quem acabou consumindo além do habitual, a orientação é evitar medidas radicais. Em vez de restrições severas, o ideal é retomar a rotina alimentar e ajustar o nível de atividade física ao longo dos dias seguintes. “Nesse processo, combinar exercícios aeróbicos com treinos de força faz toda a diferença: enquanto o cardio favorece o gasto calórico e ajuda a reequilibrar o organismo, a musculação além de favorecer o gasto calórico também, preserva a massa muscular e mantém o metabolismo mais ativo a longo prazo. Não é indicado tentar compensar tudo de uma vez. O mais importante é manter a regularidade nos exercícios e, se necessário, aumentar a intensidade de forma progressiva”, afirma a professora.
Dicas práticas de exercícios para aumentar o gasto calórico
- Caminhada acelerada ou corrida leve (30 a 45 minutos) caso a pessoa tenha alguma limitação para corridas mais intensas.
- Ajuda a manter o metabolismo ativo e é acessível para diferentes níveis de condicionamento.
- Treinos intervalados (HIIT)
- Alternar períodos curtos de alta intensidade com descanso pode aumentar o gasto calórico em menos tempo.
- Aulas de bike ou spinning
- Atividades dinâmicas e intensas, com alto potencial de queima calórica.
- Pular corda
- Exercício simples, mas eficiente para elevar a frequência cardíaca rapidamente.
- Treinos combinados (cardio + musculação)
Associar exercícios aeróbicos com força ajuda a aumentar o gasto energético e preservar a massa muscular. “O mais importante é escolher uma atividade que seja possível manter com frequência. A regularidade tem muito mais impacto do que esforços pontuais e intensos”, encerra a professora do CEUB.