
Foto: China Media Group América Latina
Com presença do MinC e do Iphan, noite de gala do China Media Group destacou o audiovisual e o patrimônio imaterial como pontes no Ano Cultural Brasil-China 2026
Brasília foi palco, nesta terça-feira (10), do Prelúdio do Festival da Primavera: O Mundo Assiste à Noite de Gala do China Media Group (CMG), evento que celebrou o Ano Novo Chinês e marcou o início do Ano do Cavalo de Fogo, em 2026. Realizada no Museu Nacional da República, a cerimônia integrou as comemorações do Ano Cultural China–Brasil, iniciativa que simboliza o aprofundamento das relações estratégicas entre os dois países.
Ao discursar durante a cerimônia, embaixador da República Popular da China no Brasil, Zhu Qingqiao, destacou a satisfação em participar do Prelúdio do Festival da Primavera e em reencontrar parceiros brasileiros. O diplomata ressaltou que, apesar da distância geográfica e do fato de estarem situados em hemisférios opostos — como os maiores países em desenvolvimento do Oriente e do Ocidente —, China e Brasil mantêm uma relação marcada pela proximidade afetiva e pelo respeito mútuo. Segundo ele, sob a orientação estratégica dos chefes de Estado, as relações sino-brasileiras vivem o melhor momento de sua história.
Ele também enfatizou o avanço da construção da Comunidade Sino-Brasileira com Futuro Compartilhado, com alinhamento progressivo das estratégias de desenvolvimento dos dois países. Para o embaixador, essa convergência demonstra o papel das grandes economias emergentes na promoção de um mundo mais justo e de um planeta mais sustentável.
Ao mencionar a visão conjunta do presidente Xi Jinping e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o embaixador destacou que 2026 marca a realização do primeiro Ano Cultural China–Brasil nas relações bilaterais, iniciativa que deve intensificar o intercâmbio humano e cultural em mão dupla, fortalecendo ainda mais os laços entre as duas nações.
Representando o Ministério da Cultura, a secretária do Audioviual, Joelma Gonzaga, destacou o caráter simbólico de 2026 para a relação bilateral. Segundo ela, o Ano Cultural Brasil–China expressa “a maturidade e a densidade de uma parceria estratégica construída ao longo de décadas”. A dirigente ressaltou o papel central do audiovisual nesse processo de aproximação entre os povos. “Poucas linguagens têm hoje tamanho poder de circulação, de diálogo intercultural e de projeção simbólica quanto o cinema, a televisão e as novas mídias audiovisuais”.
Ela lembrou ainda que a cooperação no setor ganhou bases institucionais sólidas nos últimos anos, com a assinatura de acordos e, especialmente, com o Memorando de Entendimento firmado em 2024 entre o Ministério da Cultura e o China Media Group. O instrumento estabelece diretrizes para produção e coprodução de conteúdos, intercâmbio profissional e circulação de obras nos dois mercados.
O contexto, segundo Joelma, é especialmente favorável. Em 2024, o setor audiovisual adicionou R$ 70 bilhões à economia brasileira, movimentando cerca de 609 mil empregos diretos e indiretos. O desempenho consolida o audiovisual como um dos motores da chamada Nova Indústria Brasil e amplia as possibilidades de internacionalização das produções nacionais.
A presença do Iphan, representado pelo diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial, Deyvesson Israel Alves Gusmão, reforçou o reconhecimento da dimensão patrimonial do evento. O Ano Novo Chinês é considerado patrimônio cultural imaterial da humanidade, reconhecido pela Unesco, e representa uma das celebrações mais importantes da cultura chinesa.
Durante a programação, o público mergulhou na cultura da China e acompanhou a tradicional Dança do Dragão, apresentações de artes marciais Wushu, workshop de roupas tradicionais e oficina de caligrafia, evidenciando a riqueza simbólica e artística da festividade.
Também estiveram presentes a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann; e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o vice-ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Marcelo Costa; a reitora da Universidade de Brasília, Rozana Naves; o diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), David Butter; e a diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori Andria, entre outros convidados.
Recepção oficial marca celebração do Ano Novo Chinês em Brasília
As celebrações do Ano Novo Chinês, em Brasília, também incluíram, na última quarta-feira (4), uma recepção oficial que reuniu autoridades brasileiras, representantes do corpo diplomático e membros da comunidade chinesa no Brasil. O evento reforçou o ambiente de aproximação cultural e política que marca o início do Ano Cultural Brasil-China.
Na ocasião, a presidenta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fernanda Castro, representou o Ministério da Cultura. O papel estratégico dos museus e das instituições de memória na consolidação do intercâmbio cultural entre os dois países, especialmente em um momento em que o patrimônio, a diversidade cultural e a cooperação institucional ganham centralidade na agenda bilateral, foi evidencido durante o ato.
A recepção destacou a importância histórica do Ano Novo Chinês — reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em dezembro de 2024 — como símbolo de renovação, prosperidade e fortalecimento dos laços comunitários. Autoridades enfatizaram que o primeiro Ano Cultural China–Brasil representa um novo capítulo nas relações diplomáticas, ampliando não apenas a cooperação econômica, mas também o diálogo entre museus, centros culturais e instituições de preservação da memória.
Ano Cultural China–Brasil
O Ano Cultural China–Brasil 2026 foi acordado entre os dois países e tem como objetivo fortalecer intercâmbios nas áreas de cultura, juventude, inovação e indústria criativa. A iniciativa busca ampliar oportunidades compartilhadas e consolidar uma parceria baseada em respeito, amizade e desenvolvimento conjunto.
O Prelúdio do Festival da Primavera representou, assim, um gesto simbólico e diplomático: mais do que celebrar a chegada do Ano do Cavalo de Fogo, o evento sinalizou a disposição de Brasil e China em transformar afinidades culturais em projetos concretos, especialmente no campo do audiovisual.
Por Governo Federal