De receita caseira à fábrica própria e 22 lojas: Tatiane Freitas comemora sucesso da Dom Casero

Ao lado do marido e do cunhado, empresária mira em expansão com produtos diferenciados e dá dicas para quem quer empreender


Tatiane Freitas, da Dom Casero foto: divulgação 

Tatiane Freitas trabalhava em uma multinacional, quando decidiu ir atrás do próprio caminho e empreender. Hoje, duas décadas depois, a empresária comanda ao lado do marido e do cunhado a Dom Casero, que tem fábrica própria, 22 lojas espalhas pelo país e uma linha de mais de 250 produtos, de biscoitos a chocolates e panetones. “Empreender faz você sair da zona de conforto para a zona de esforço. É um desafio”, diz.

Formada em Administração, Tatiane não pensava em ter seu próprio negócio até conhecer o marido, Denis Carvalho, que tinha tino comercial e queria construir a própria história. Pernambucanos, quando eles se casarem e foram para Brasília juntaram a experiência de Tatiane com atendimento, a veia de empresário de Denis e as receitas da mãe dele, Dayse – surgiu a Dom Casero.

“Ela fazia bolo de rolo, biscoitos caseiros, e a gente leva de Recife para Brasília para revender. Começamos com supermercados, mas logo percebemos que nosso público não era aquele”, lembra ela. O casal passou para as feiras de moda e entendeu que buscava um cliente mais premium. Ao mesmo tempo, percebeu que a logística de avião e transportadora do Nordeste para o Centro-Oeste estava pesada. 

Foi então que eles decidiram abrir uma fábrica em Brasília, o que permitiu criar novas linhas de produtos -. Denis começou a desenvolver receitas, incorporando sabores dos lugares para onde o casal viajava. “Nunca fomos terceirizados, sempre compramos da minha sogra até termos produção própria”, lembra Tatiane.

“Não foi fácil, nosso início foi muito desafiador, entendendo o negócio e quebrando a cabeça com receitas e conceitos. E você pode ter produto, mas isso não quer dizer nada se sua marca não tem uma persona”, pontua Tatiane. “Para se diferenciar no mundo corporativo é preciso vender não apenas um produto, mas uma experiência e criar uma relação com o cliente que vai além da simples compra”, afirma. 

Formada em Administração, a empresária desde cedo entendeu que tinha aptidão para lidar com pessoas, gestão e comunicação – fez pós-graduação em Psicologia Organizacional e foca, como diz, no ser humano. “Quero que as pessoas sejam felizes na Dom Casero, que ela seja uma das melhores empresas para se trabalhar”, diz Tatiane. “Para isso a gente vem aperfeiçoando metodologias para que os funcionários se engajem na organização”, explica, ressaltando o papel das mulheres na empresa. “No meu propósito de transformar vidas e empregar pessoas, quero cada vez mais colocar as mulheres em situação de protagonismo”, garante.

Mãe de Cássio, de 12 anos, e Catarina, de 8, Tatiane sabe o esforço para “equilibrar os pratinhos”. “Falo para meus filhos que meu negócio é minha paixão e quero que eles tenham propósito nas vidas deles também”, diz. Trabalhar com o marido e o cunhado, Danilo, que se juntou ao casal depois que eles abriram a Dom Casero, não é problema, ela conta. 

Os três ganharam uma nova sócia há pouco tempo, a atriz Vanessa Giácomo, que era embaixadora da marca. Os planos para 2025 são continuar crescendo, mas sempre mantendo a essência e o caráter artesanal dos produtos – o bolo de rolo de Dona Daisy continua entre os carros-chefes, assim como a linha de biscoitos Surreal (amêndoas e banana, entre outros sabores), as galhetas, o alfajor, entre tantos outros.

As embalagens já viraram tradição, sobretudo nesta época do ano, quando a fábrica ganha três turnos para dar conta da demanda; são latinhas e caixinhas caprichadas. Os laços dos pacotes, por exemplo, são fruto de uma parceria com o Instituto Entre Nós, uma organização da sociedade civil com foco na na cultura, economia criativa e no empreendedorismo como alternativas para o desenvolvimento social. 

“A nossa proposta é de momentos especiais em família, que nossas clientes não só fiquem felizes como tenham aquela sensação de ‘uau”, conta Tatiane, que não abre mão dos biscoitos de nata todos os dias. Às vésperas de completar 41 anos em 25 de dezembro (“por isso amo Natal”), ela dá dicas para quem quer empreender. 

“Empreendedorismo é feito na raça, no amor, mas é importante entender o negócio e qual nicho vai seguir. É preciso persistir e nunca desistir, como todo brasileiro tem que vencer na raça, na garra, na vontade. Começar pequeno, errar, ir com medo mesmo”, ensina Tatiane, que não pensou em um plano B. “Não tive tempo de pensar em desistir”, diz.

Por Raquel Pinheiro

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