
A Galeria Trama apresenta a exposição “Imagens Interrompidas”, individual de Luis Jungmann Girafa, com curadoria do Vilarejo 21. A abertura da mostra acontece no dia 12 de julho, das 17h às 21h, na Fundação Athos Bulcão. Luis Jungmman Girafa é arquiteto, artista plástico, cineasta e fotógrafo.
A coletânea de pinturas apresentada em “Imagens Interrompidas” evidencia suas múltiplas linguagens. Indissociável o olhar do fotógrafo e arquiteto, que fragmenta suas telas, que recorta e interrompe composições, que emoldura janelas dentro de chassis. A mostra apresenta reflexões sobre Brasília, sobre a geometria dos blocos, eixos, entrequadras, tesourinhas, sobre a vista geográfica e planificada, onde encontramos em títulos irônicos, configurações segmentadas e na paleta de cores, a terra vermelha do cerrado e um
imaginário sobre a capital do país. Mas vai além, por que abrir portas e janelas em uma pintura? Por que construir camadas e apagá-las e sobrepô-las? Por que esconder e desaparecer com o passado? Por que impor novas margens onde elas já existem?

A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e sábado, das 9h às 14h, na Fundação Athos Bulcão. A entrada é gratuita com acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. A mostra conta com audiodescrições.
“Imagens Interrompidas” faz parte da programação da Galeria Trama que já recebeu exposições de Lígia de Medeiros, Kleber Cianni, Cirilo Quartim e Leopoldo Wolf.

Arte é ponte… Entre imagens interrompidas
Luís Jungmann Girafa
Você se arrepende?
Só copista não se arrepende…
(Diálogo imaginário entre uma curadora imaginária e um adepto não imaginário
do pentimento, o Girafa)
Por traz das pinturas de Girafa existem outras imagens… À frente delas, haverá
outras? Pentimento significa literalmente arrependimento, poeticamente há
tantos outros significados… Há a coragem do movimento, da impermanência,
da imprevisibilidade do gesto espontâneo e há, ainda por traz, a fantasmagoria
que tensiona essa caduca noção evolucionista de linearidade entre passado,
presente e futuro. Porque está tudo lá, dentro, fundo, profundo, mas se você
arranhar de leve, os fantasmas aparecem.
Entre uma imagem e outra, uma palavra e outra, uma imagem e uma palavra,
entre as interrupções… Há tantas conexões quanto sinapses possíveis em
matérias minimamente plásticas. Para que certezas frente a contextos
mutantes? Para que pressa? Deixa a matéria plástica viva, no seu ritmo, em
desfrute.
Des-fruta cor vermelho sangue pisado, roxo azul falta de ar, borra de café
torrado caverna escura. Densidade. Densa idade a de Girafa. Cores escuras
elegantes que serão pentimentos de ar e luz… Arrependimentos. Outridades de
Girafa. Arte é ponte.
Curadoria, Expografia e Texto: Vilarejo 21
Vilarejo 21, Matéria Plástica, FundAthos, Apoio Porto Belo