
Uma disputa entre Divindade e Ateísmo. A peça mistura sonho com realidade, com humor, tendo como pano de fundo a Segunda Guerra Mundia
Freud e o Visitante se passa em Viena, em março de 1938, quando os alemães invadem a Áustria e perseguem os judeus. A Princesa Marie Bonaparte e o cônsul americano negociavam a partida de Sigmund Freud (1856 -1939), aos 82 anos de idade, mas ele resiste em partir. Porém, quando sua filha Anna é presa para interrogatório, a história toma outro rumo.
E é neste dia que ele recebe uma visita estranha. A história se passa no consultório de Freud com o uso de objetos específicos como uma reprodução fiel de sua cadeira, um divã e o tapete persa. “O desconhecido que encontra Freud vai atingindo várias personalidades ao longo da narrativa. Pode ser um louco que fugiu do hospício, um homem que assedia Anna no parque, uma manifestação do inconsciente ou quem sabe, Deus. Afinal seria mais fácil se ele não fosse ateu”, conta o diretor Eduardo Tolentino.
“Freud tem frases fortes e provocantes ‘Deus é uma hipótese inútil, se ele é onipotente, ele é mal’, chega até a dizer que a religião é uma neurose coletiva. Ele era judeu, mas não no sentido religioso, mas no cultural. Também era um ateu convicto e expurga tudo no choque de ideias com o Desconhecido”, enfatiza o ator Brian Penido Ross, que interpreta Freud.
Em contrapartida, o visitante culpa o orgulho dos homens pelas mazelas do mundo em função do livre arbítrio. “Ele diz que o homem se tornou o senhor absoluto, senhor da natureza, onde ele degrada; senhor da política, onde o autoritarismo prevalece”, pontua o diretor.
Segundo o diretor, no texto há várias camadas. “É um espetáculo com uma possibilidade de comunicação ampla, mexe com questões comuns. Vivemos em um tempo de guerra, mesmo não estando perto do conflito recebemos informações toda hora sobre ela. E a peça retrata a questão “Qual o momento que você percebe que as coisas estão acontecendo? Mesmo Freud sendo um proeminente da época, ele não se deu conta do que estava ocorrendo. A peça é uma metáfora, uma situação que poderia ser iminente, hoje está na história, se não prestar atenção, acontece de novo”.
O Grupo TAPA foi fundado em 1974 dentro da PUC-Rio, quando alunos de diversos cursos decidiram fazer teatro amador. À época, chamava-se Teatro Amador Produções Artísticas (T.A.P.A.). Em 1986, transferiu-se para São Paulo, onde ocupou o Teatro da Aliança Francesa até 2001. O grupo se notabiliza pelo teatro de repertório e a montagem de clássicos: entre os autores encenados estão Shakespeare, Bernard Shaw, Anton Tchekhov, Tennessee Williams, August Strindberg, Oscar Wilde, Nicolau Maquiavel e Luigi Pirandello; e também grandes autores brasileiros, como Arthur de Azevedo, Nelson Rodrigues e Jorge Andrade. o TAPA já recebeu mais de 80 prêmios, entre Shell, Mambembe, Molière, APCA, Qualidade Brasil e Governador do Estado. A sede fica, hoje, em um galpão na Barra Funda, onde são ministrados grupos de estudos para atores, promovendo pesquisa na área cênica.
Ficha técnica
Texto: Eric-Emmanuel Schmitt | Direção: Eduardo Tolentino de Araujo | Elenco: Adriano Bedin (Nazista), Anna Cecília Junqueira (Anna Freud), Brian Penido Ross (Freud), Bruno Barchesi (Visitante) | Trilha sonora: Paulo Marcos | Desenho de luz: Wagner Pinto | Assistente de iluminação: Gabriel Greghi | Fotografias: Ronaldo Gutierrez | Design gráfico: Mau Machado | Produção em Brasília: DECA Produções | Assessoria de imprensa em Brasília: Território Comunicação | Patrocínio local: BRASAL
Serviço:
[Drama] Freud e o Visitante
Local: Teatro UNIP
Endereço: SGAS 913 – Asa Sul
Dias e horários: dias 16 (sábado), às 17h30 e às 20h, e 17 de maio (domingo), às 17h e às 19h30
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo
Ingressos:
Plateia: R$ 160 (inteira), R$ 80 (meia), e R$ 90 ingresso solidário (com doação de 1kg de alimento)
Plateia popular: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Bilheteria: https://bileto.sympla.com.br/event/118385/d/379799 e física, sem taxas, na Belini (113 Sul)
Capacidade: 500 pessoas
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 12 anos
O Teatro UNIP: https://www.teatrounip.com | https://www.facebook.com/TeatroUnip | @teatrounip. Bilheteria: apenas nos dias de apresentação sábado e domingo das 14h até o início do espetáculo. Aceita todos os cartões de débito e crédito. Não aceita cheque. Ar-condicionado e acesso para cadeirantes. Estacionamento gratuito.