
Pelo quarto ano consecutivo, o Circuito de Teatro Brasileiro reafirma o protagonismo de Brasília no cenário nacional das artes cênicas. Realizado por meio da Lei Rouanet com patrocínio da Brasal e produção de André Deca à frente da Deca Produções, o projeto se consolidou como um fenômeno de público, com uma média de dois mil ingressos vendidos por temporada, comprovando o apetite do público brasiliense por teatro de qualidade. Todas as sessões têm registrado lotação esgotada, com frequente abertura de sessões extras para atender à demanda da capital.
Profissionalismo e credibilidade a serviço da cultura
A bem-sucedida trajetória do Circuito de Teatro Brasileiro é fruto de um trabalho cuidadoso e contínuo. À frente da Deca Produções, André Deca construiu uma reputação pautada por profissionalismo, credibilidade e olhar cirúrgico para grandes montagens. Sua atuação exige não apenas experiência na gestão de projetos culturais de grande porte, mas também um relacionamento sólido com artistas, produtores e teatros de todo o país. É esse trabalho consistente, nos bastidores, que viabiliza ano após ano o encontro entre o público brasiliense e o melhor do teatro nacional.
Além de produtor, André Deca é ator com trânsito nacional. Participou da série Arcanjo Renegado (Globoplay), interpretando o marqueteiro político Dida Brandão, e participação na novela global das 19h, Coração Acelerado, como o personagem Xavier. No cinema, estará no longa-metragem Verão da Lata, comédia que revisita o episódio das latas de maconha lançadas ao mar em 1987. Nos palcos, integrou os elencos de Agora Inês é Morta e de Atrás das Paredes, peça que em 2026 participou dos festivais MITsp e de Curitiba, dois dos mais importantes da América Latina.
Programação de 2026 reúne grandes nomes e obras impactantes
A programação deste ano do Circuito de Teatro Brasileiro foi concebida como um retrato diverso e urgente da dramaturgia contemporânea. As obras selecionadas atravessam temas centrais à sociedade atual – da violência de gênero e as falhas do sistema judiciário em Prima Facie à saúde mental juvenil em O Filho, passando pela gênese da violência urbana em O Motociclista no Globo da Morte e pela hipocrisia das relações civilizadas em Deus da Carnificina.
Há também espaço para a comédia de costumes com Toc Toc, que humaniza os transtornos obsessivo-compulsivos com humor e afeto; para a reflexão existencial em O Figurante, que discute a invisibilidade e o pertencimento; e para a poesia da metamorfose em A Árvore, onde natureza e liberdade se fundem. O circuito ainda revisita grandes pensadores em Freud e o Visitante e Subversão Kafka. É uma programação que não entretém apenas – provoca, acolhe, denuncia e celebra a complexidade humana.
“O Circuito de Teatro Brasileiro comprova que Brasília não apenas consome, mas exige e celebra o melhor do teatro nacional. Com plateias lotadas, curadoria que dialoga com as urgências do nosso tempo e o apoio indispensável da Lei Rouanet, conseguimos transformar a capital em um polo vibrante das artes cênicas. O mérito é do público, que nos enche de orgulho e responsabilidade.” — André Deca”
A seguir, a relação completa das peças confirmadas para este ano:
Freud e o Visitante, do Grupo Tapa – dias 16 e 17 de maio no Teatro Unip. A peça retrata Freud recebendo um visitante misterioso na noite em que sua filha, Anna, é levada pela Gestapo, explorando temas como fé, razão e o medo.
A Vida Passou por Aqui, com Claudia Mauro e Édio Nunes – dias 30 e 31 de maio no Teatro Royal Tulip. A peça retrata a amizade de 40 anos entre Silvia (professora e artista) e Floriano (faxineiro), explorando memórias e leveza após a protagonista sofrer um AVC.
Toc Toc, com Daniel Dantas, Ricardo Tozzi e Iara Jamra – dias 6 e 7 de junho no Teatro Unip. A trama reúne seis pacientes com diferentes TOCs na sala de espera de um psiquiatra renomado, gerando situações cômicas e reflexivas.
Subversão Kafka, com Caio Blat e Ricardo Blat – dias 25 e 26 de julho no Teatro Unip. A peça mistura humor e caos, adaptando contos de Franz Kafka, focando em artistas que improvisam uma apresentação final em um teatro decadente.
O Motociclista no Globo da Morte, com Eduardo Moscovis – dias 5 e 16 de agosto no Teatro Unip. A peça investiga a gênese da violência contemporânea através do relato de um homem pacífico que presencia um evento trágico.
O Figurante, com Mateus Solano – dias 22 e 23 de agosto no Teatro Royal Tulip. Uma “dramédia” (comédia dramática) que narra a história de Augusto, um figurante de audiovisual que questiona sua existência invisível.
A Árvore, com Alessandra Negrini – dias 27 a 30 de agosto no Teatro Unip. A peça narra a transformação física e mental de uma mulher (A.) que se funde a uma planta, explorando temas como metamorfose, natureza e a busca por liberdade.
Deus da Carnificina, com Ângelo Paes Leme, Karine Teles, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch – dias 12 e 13 de setembro no Teatro Unip. A trama mostra dois casais que se reúnem para resolver, de maneira “civilizada”, um conflito entre seus filhos, mas a situação degenera rapidamente para violência, hipocrisia e egoísmo.
O Filho, com Gabriel Braga Nunes e Maria Ribeiro – dias 26 e 27 de setembro no Teatro Unip. A trama acompanha Nicolas, um jovem de 16 anos enfrentando depressão após a separação dos pais, que decide morar com o pai para tentar encontrar equilíbrio.
Espetáculos já apresentados em 2026
Nos primeiros meses deste ano, as seguintes montagens já foram apresentadas: Bluey Live Show – Diversão em Família* (dias 25 e 26 de abril no Teatro Unip); Prima Facie*, com Débora Falabella (dias 30 de abril e 1º de maio no Teatro Planalto); Um dia muito especial, com Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall (dias 11 e 12 de abril no Teatro Unip); Mulheres em chamas*, com Camila Raffanti, Miá Mello e Juliana Araripe (dias 28 e 29 de março no Teatro Royal Tulip); Lady*, com Suzana Vieira (dias 12 a 15 de março no Teatro Poupex); Terapia*, com Marcelo Serrado (dias 7 e 8 de março no Teatro Unip); e Notícias Populares*, com o grupo Os Melhores do Mundo (dias 17 e 18 de janeiro no Teatro Royal Tulip).
* temporadas com produção da DECA Produções, porém, não inseridas no projeto Circuito do Teatro Brasileiro
Um projeto feito para e pelo público brasiliense
O fenômeno do Circuito de Teatro Brasileiro só se explica pela relação de cumplicidade construída com o público de Brasília. Lotar todas as sessões não é fruto do acaso – é a resposta de uma plateia exigente, que reconhece curadoria de qualidade e prestigia o teatro como experiência essencial. A abertura de sessões extras, em quase todas as montagens, é o termômetro mais claro desse entusiasmo.
O projeto, ao mesmo tempo que alimenta o desejo do público brasiliense por boa dramaturgia, também é alimentado por ele – numa retroalimentação que fortalece a cena cultural da capital e a posiciona como referência nacional. Para André Deca, que viabiliza esse encontro com sua experiência como produtor, o mérito maior pertence a quem ocupa as cadeiras: “Brasília tem um público sofisticado, que reconhece e prestigia o bom teatro. Nosso compromisso é trazer espetáculos que dialoguem com questões contemporâneas.
O sucesso de público mostra que estamos no caminho certo.” Com casa cheia em todas as sessões, o Circuito de Teatro Brasileiro reafirma, mais uma vez, que o teatro em Brasília não é coadjuvante – é protagonista.