
Especialista do CEUB traz orientações práticas para identificar riscos e criar ambientes mais seguros
No dia 7 de abril, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, o alerta se volta para um problema que ainda atinge milhares de estudantes no Brasil. Um em cada quatro alunos já sofreu algum tipo de violência física ou psicológica no ambiente escolar, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE. O cenário se agrava com o cyberbullying, que amplia o alcance das agressões e intensifica os impactos na saúde mental de crianças e adolescentes.
A professora de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Ludymila Borges Santana, destaca a importância de identificar sinais precoces com prevenção dentro de casa e no ambiente escolar.
Segundo a especialista clínica infanto juvenil, mudanças de comportamento devem ser observadas: “Mudanças de comportamento, isolamento e queda no rendimento escolar são sinais importantes de que algo pode não estar bem”. A docente do CEUB reforça que o bullying não é um problema isolado. “Esse é um fenômeno coletivo, que envolve todo o ambiente. Quando não há intervenção, tende a se repetir e a agravar impactos na saúde mental”, alerta, chamando atenção para a responsabilidade da escola e dos responsáveis.
De acordo com a especialista, alguns comportamentos podem indicar que a criança ou o adolescente está sofrendo ou envolvido em situações de violência:
- Isolamento repentino ou afastamento de amigos.
- Queda no desempenho escolar.
- Mudanças de humor, tristeza frequente, apatia, ansiedade ou irritabilidade.
- Resistência em ir à escola, ou sair com amigos, e ainda a usar redes sociais.
- Alterações no sono ou apetite.
- Mudanças bruscas de comportamento.
- Uso de roupas para esconder o corpo, mesmo em dias quentes.
- Medos que antes não tinham.
Como prevenir: 5 atitudes práticas para famílias e escolas
Confira as dicas da especialista do CEUB para reduzir casos de bullying e cyberbullying:
- Mantenha o diálogo aberto
“O adolescente precisa se sentir seguro para falar. Escute sem julgamentos e com atenção, crie forma de aproximação.”, orienta. Quando há acolhimento, aumentam as chances de o jovem relatar situações de violência, ou angústias presentes que vivencia no seu dia a dia. - Observe o comportamento no dia a dia
Pequenas mudanças podem indicar sofrimento emocional e devem ser investigadas com cuidado e diálogo. “Falar sobre empatia, respeito e convivência precisa fazer parte da rotina. A prevenção acontece nas pequenas interações do dia a dia, tanto na família quanto na relação com a escola”, destaca a professora do CEUB. - Escola segura faz a diferença
A escola tem papel central na prevenção ao bullying. “A escola precisa promover uma cultura de respeito, com espaços de escuta e ações contínuas. Não basta agir só quando o problema aparece, devemos trabalhar com prevenção”, afirma a docente do CEUB. - Acompanhe o uso da internet
“O cyberbullying não tem pausa. Ele pode acontecer a qualquer momento, o que intensifica o impacto emocional”, alerta a especialista. O aumento de denúncias nas redes sociais evidencia como a exposição digital pode ultrapassar limites e gerar sofrimento psíquico, tornando essencial o acompanhamento ativo dos responsáveis, como previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei de Combate ao Bullying. - Estimule valores como respeito e empatia
A prevenção também passa pela educação emocional. Ensinar respeito, empatia e responsabilidade nas relações ajuda crianças e adolescentes a desenvolver habilidades sociais e lidar melhor com conflitos. “A convivência cotidiana também é um fator de proteção importante. Estar presente, compartilhar atividades e demonstrar interesse genuíno pela rotina dos filhos fortalece o vínculo e facilita a comunicação”.
De acordo com a especialista do CEUB, criar um ambiente seguro, com escuta ativa e sem julgamentos, contribui para a identificação precoce de sinais de sofrimento. “O reconhecimento de esforços, os elogios e o incentivo à autonomia também fortalecem a autoestima, que é essencial para enfrentar situações adversas”.