Mentoria empresarial busca padronização e avança como alternativa à formação executiva tradicional

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Iniciativas de padronização e certificação começam a estruturar o setor e reduzir a incerteza na contratação

Um setor marcado pela informalidade e pela dependência da reputação individual começa a dar sinais de organização no Brasil. Empresas e profissionais da área de mentoria empresarial passam a adotar critérios mais objetivos de atuação — como métricas financeiras, certificação e estruturas de governança — em um movimento de profissionalização que busca dar mais previsibilidade a um mercado em expansão.
Dados do Global Entrepreneurship Monitor mostram que cerca de 30% dos adultos no Brasil estão envolvidos em atividades empreendedoras, o que amplia a demanda por capacitação prática voltada à gestão e à escala dos negócios. Nesse contexto, a mentoria ganha espaço como alternativa mais flexível em relação a MBAs e cursos formais, especialmente entre empresários em fase de crescimento.

Apesar da expansão, o setor ainda opera, em grande parte, sem parâmetros consolidados de qualidade. A contratação de mentores costuma se basear em percepção de mercado, posicionamento digital ou histórico individual, sem critérios padronizados que permitam comparar desempenho ou mensurar resultados de forma consistente.

É nesse ambiente que surgem iniciativas voltadas à estruturação do setor. Uma delas é a Mentor Capital Group (MCG), idealizada pelo empresário Janguiê Diniz, que propõe um modelo baseado em certificação, governança e indicadores de desempenho. A empresa foi estruturada como sociedade anônima de capital fechado, com auditoria formal e previsão de abertura de capital no futuro.

De reputação individual a critérios mensuráveis

Para Diniz, o principal desafio do setor está na ausência de parâmetros objetivos. “A mentoria cresceu muito nos últimos anos, mas ainda opera com pouca padronização e critérios claros de qualidade. Isso dificulta a tomada de decisão por parte das empresas”, afirma.

Na prática, o modelo propõe uma mudança de lógica: em vez de depender exclusivamente da reputação do mentor, a atuação passa a ser avaliada por indicadores mensuráveis. Entre eles, estão faturamento, crescimento, margem operacional, recorrência de receita e satisfação de clientes.

O sistema de certificação funciona como uma espécie de classificação interna dos mentores, com níveis definidos a partir desses critérios. À medida que avançam, os participantes precisam comprovar desempenho crescente — incluindo receitas anuais que podem chegar a R$ 40 milhões nos níveis mais elevados, além de exigências adicionais de governança e consistência operacional.

A governança também representa uma ruptura com o modelo predominante no setor. Em vez de estruturas centradas na figura do fundador, o modelo prevê conselhos, comitês técnicos e processos formais de decisão, com regras de transparência, auditoria e compliance.

Segundo Diniz, a proposta é reduzir a subjetividade nas contratações. “Hoje, muitas escolhas ainda são baseadas em percepção. A ideia é criar parâmetros que permitam avaliar a consistência e a capacidade real de entrega dos profissionais”, diz.

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