
O festival será em Ceilândia, nos dias 20 e 21 de março, e prestará homenagem a diversos bens culturais do Brasil
Brasília se prepara para receber um grande encontro das tradições culturais. Nos dias 20 e 21 de março, a Praça da Juventude, em Ceilândia (DF), será palco da primeira edição do Festival do Patrimônio Brasileiro, que apresenta uma programação diversa com shows, encontros de cultura popular, homenagens a bens culturais, seminário, além de feiras de gastronomia e artesanato. Os ingressos gratuitos devem ser retirados pelo Sympla.
Durante dois dias, o festival reunirá artistas, mestres e mestras da cultura brasileira em uma programação que percorre diferentes expressões culturais do país — do maracatu ao choro, do samba tradicional ao hip hop, do forró ao mamulengo. Nomes como Criolo, Hamilton de Holanda e Mariene de Castro misturam a sua música com a toada de detentores das Marujadas de São Benedito, Samba de Roda e Jongo do Cerrado.
O Festival do Patrimônio Brasileiro é uma realização do Instituto Rosa dos Ventos, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura e do Governo Federal. O evento conta com patrocínio da Vale e da Caixa Econômica Federal, via Lei Rouanet.
Abertura e homenagens aos bens culturais
A programação começa no dia 20 de março, às 16h, com a abertura das Feiras de Artesanato e Gastronomia, além do funcionamento do Espaço Pela Vida Delas, ambiente de acolhimento e orientação voltado à proteção das mulheres.
Às 18h, o público acompanha uma Roda de Mamulengo com grupos do Distrito Federal — Circo Boneco e Riso, Mamulengo Fuzuê, Mamulengo Presepada e Mamulengo Querenutem —, celebrando uma das mais tradicionais expressões do teatro popular brasileiro.
Um dos momentos mais emblemáticos do encontro, às 19h, será a cerimônia de homenagem a bens culturais imateriais brasileiros, com participação do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass. A solenidade celebrará diversas manifestações registradas como Patrimônio Cultural nos últimos anos, entre elas Samba de Bumbo Paulista; Marujadas de São Benedito; Arte Santeira em Madeira do Piauí; Kene Kuĩ: Grafismos do Povo Huni Kuĩ; Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas; Choro; Ofício de Tacacazeira; Ofício, Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais do Brasil; Samba de Roda; Teatro de Bonecos Popular do Nordeste; Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis (BA); Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca; Maracatu Nação (PE); Maracatu de Baque Solto (PE); Pesca com Botos no Sul do Brasil; e Circo de Tradição Familiar.
“Essas homenagens fazem a gente se fortalecer. A gente sabe que a cultura popular passa por muitas dificuldades para sobreviver. Quando a gente vê um festival, em Brasília, organizando essa homenagem, é só alegria”, comemora Manoelzinho Salustiano, artesão carnavalesco e integrante da Associação de Maracatus de Baque Solto (PE).
Durante a cerimônia também serão entregues certificados de tombamento para importantes bens culturais materiais, como o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, em Cachoeira (BA); o Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra (BA); o Quilombo Tia Eva (MS); a Pedra Fundamental de Planaltina (DF) e o antigo DOPS do Rio de Janeiro. Outro destaque será o anúncio do pedido de envio do Forró para a lista indicativa de Patrimônio da Humanidade da Unesco.
Celebrando a diversidade
O Festival do Patrimônio Brasileiro propõe um grande encontro entre tradição, memória e celebração da diversidade cultural do país, reunindo artistas, mestres e o público em torno de um patrimônio que pertence a todos: a cultura brasileira.
“O Festival do Patrimônio Brasileiro é um momento muito especial de celebração e de consolidação da retomada da política do patrimônio cultural, unindo aqui no Distrito Federal representantes de várias matrizes culturais brasileiras, detentores do patrimônio imaterial, especialistas, lideranças do campo do patrimônio e a população, para que possamos avançar ainda mais. E realizar este encontro em Ceilândia é muito simbólico, pois é a região do DF que representa a síntese do Brasil”, destaca Leandro Grass, presidente do Iphan. “Vamos entregar a detentores certificados de bens reconhecidos ao longo de nosso governo, além de partilhar experiências e promover ações de educação patrimonial neste momento único e histórico da política do patrimônio cultural”, afirma.
Stéffanie Oliveira, presidenta do Instituto Rosa dos Ventos – que realiza o evento – ressalta o desafio de fazer a curadoria do festival. “A maior dificuldade foi tentar contemplar todos esses bens. Isso vem junto de uma felicidade de entender a diversidade do Patrimônio Cultural Brasileiro e, sobretudo, do patrimônio imaterial presente em Brasília. A nossa cidade é um conto dos ‘Brasis’. Essa complexidade de desenhar o encontro de tantos bens só faz perceber e entender que é uma primeira edição de um festival que tem que ter vida longa, porque é impossível, em apenas uma programação, contemplar todo o nosso patrimônio”, comenta Stéffanie.
O festival também vai homenagear dois bens registrados localmente pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF): Samba Pisado e Hip Hop.
Maracatu, choro, samba e rap no palco
A noite do dia 20 segue com uma intensa programação musical. Às 20h, acontece um grande Encontro de Maracatu de Baque Virado, reunindo nações tradicionais de Pernambuco, além de grupos do Distrito Federal e de Goiás.
Às 21h, o palco terá um encontro de diferentes universos da nossa música, quando o choro do bandolim do brasiliense Hamilton de Holanda se une com a rabeca da Irmandade da Marujada de São Benedito de Bragança e da Associação da Marujada de São Sebastião, do Pará.
Na sequência, às 22h, o público poderá acompanhar uma apresentação coletiva de grupos do Samba de Bumbo Paulista, reunindo representantes de diversas cidades do interior de São Paulo. Encerrando a noite, às 23h, Japão, do Viela 17, recebe o rapper Criolo, em um encontro histórico que conecta o hip hop às raízes culturais brasileiras.
“Levar o rap para um festival do patrimônio brasileiro é mais do que colocar música no palco. É reconhecer que a cultura viva também nasce na rua. O rap carrega memória, denúncia, identidade e resistência. Ele nasce do mesmo chão onde o povo construiu sua história nas periferias, nas vielas, nos encontros de comunidade. Quando o rap entra em um festival de patrimônio, ele mostra que o patrimônio cultural não é só pedra antiga ou documento guardado. Patrimônio também é voz, é batida, é poesia falada”, reflete Japão.
Seminário, encontros musicais e diversidade cultural
No dia 21 de março, a programação recomeça às 16h, novamente com a abertura das feiras e com a realização do Seminário Mestres e Mestras – Patrimônio e as Leis de Incentivo. O encontro reúne representantes do setor e importantes nomes da cultura popular para discutir políticas de fomento e sustentabilidade das manifestações culturais tradicionais.
Entre os participantes estão o presidente do Iphan, Leandro Grass, e o secretário de Fomento do Ministério da Cultura, Thiago Rocha, além de representantes de instituições culturais e mestres da cultura popular, como Mestre Manoelzinho Salustiano e Mestra Martinha do Coco.
A programação musical segue às 18h, com apresentação da Orquestra Marafreboi e Márcio Marinho, seguida, às 19h, pelo espetáculo do grupo de samba Beco da Rainha, que recebe como convidadas Ellen Oléria e Capela Imperial.
Às 20h, o Forró Cobogó promove um encontro de gerações do forró, recebendo Nivaldo do Acordeon, Dada Nunes e Vavá Gomes. Já às 21h, o rapper Nenzin MC divide o palco com Rapadura, em um diálogo entre o hip hop e as raízes nordestinas.
A noite segue às 22h com a Orquestra Alada Trovão da Mata, que convida o grupo pernambucano Maracatu de Baque Solto Galo Dourado. Encerrando o festival, às 23h, o grupo Filhos de Dona Maria tem encontro inédito no palco com a cantora Mariene de Castro, com o Grupo de Samba de Roda Nicinha Raízes de Santo Amaro e com o Jongo do Cerrado, trazendo uma musicalidade única para a celebração dos bens culturais brasileiros.
A apresentação do festival será conduzida por Elizabete Braga e Thaine Fulni-ô, com intervalos musicais comandados pelo DJ Onli no primeiro dia e DJ Fraktal no segundo.
Sabores e saberes do Brasil
Além dos espetáculos, o público poderá visitar a Feira de Artesanato, que reúne expressões tradicionais como grafismo Huni Kuí, arte santeira do Piauí, bonecos de mamulengo, berimbaus e produtos naturais produzidos por raizeiros, como sabonetes e óleos artesanais.
A Feira Gastronômica promete uma verdadeira viagem pelos sabores do Brasil, com pratos tradicionais como acarajé, tacacá, arroz carreteiro, além de queijos mineiros e da Canastra, acompanhados de pastel, tapioca e pão de queijo, além de açaí e doces mineiros.
Programação completa:
Dia 20 de março
16h – Abertura das Feiras de Artesanato e Gastronomia
e Espaço Pela Vida Delas
18h – Roda de Mamulengo (DF)
Circo Boneco e Riso
Mamulengo Fuzuê
Mamulengo Presepada
Mamulengo Querenutem
19h – Entrega de Homenagem a bens culturais registrados ou tombados como Patrimônio Cultural do Brasil, com participação de Leandro Grass:
- Ofício, Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais do Brasil;
- Samba de Bumbo Paulista (SP);
- Marujadas de São Benedito (PA);
- Arte Santeira em Madeira do Piauí (PI);
- Kene Küi: Grafismo Huni Kuí (AC);
- Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas (MG);
- Choro;
- Ofício de Tacacazeira;
- Maracatu Nação (ou Baque Virado – PE);
- Maracatu de Baque Solto (PE);
- Samba de Roda (BA);
- Teatro de Bonecos Popular do Nordeste;
- Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis (BA);
- Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca (SC);
- Pesca com Botos no Sul do Brasil;
- Circo de Tradição Familiar.
Bens materiais tombados:
- Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, em Cachoeira (BA);
- Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra (BA);
- Quilombo Tia Eva (MS);
- Pedra Fundamental de Planaltina (DF);
- Prédio do Antigo do DOPS (RJ).
Homenagem ao Hip Hop e ao Samba Pisado, registrados como Patrimônio do DF pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF).
Anúncio do pedido de envio do Forró para a lista indicativa de Patrimônio da Humanidade da UNESCO
20h – Encontro de Maracatu de Baque Virado (PE/DF/GO)
Nação Maracatu Leão Coroado (PE)
Nação Maracatu Leão da Campina (PE)
Nação Maracatu Encanto do Dendê (PE)
Zenga Baque Angola (DF)
Tambores do Amanhecer (DF)
Baque Dandalunda (DF)
Boiadeiro Boi Brilhante (DF)
Baque do Verde (DF)
Baque Mulher (DF)
Baque Trinca Ferro (GO)
Baque Folha (DF)
21h – Hamilton de Holanda (DF) convida Irmandade da Marujada de São Benedito de Bragança (PA) e Associação da Marujada de São Sebastião (PA)
22h – Samba de Bumbo Paulista (SP)
Samba de Bumbo Nestão Estevam – Campinas
Samba do Cururuquara – Santana de Parnaíba
Samba Lenço de Piracicaba – Piracicaba
Samba de Bumbo de Itú – Itú
Samba Lenço de Mauá – Mauá
Samba de Roda da Dona Aurora – Vinhedo
23h – Japão – Viela 17 (DF) part. Criolo (SP)
Dia 21 de março
16h – Abertura das Feiras de Artesanato e Gastronomia e Espaço Pela Vida Delas
16h – Seminário Mestres e Mestras Patrimônio e as Leis de Incentivo
Presidente do Iphan – Leandro Grass
Secretário de Fomento do MinC -Thiago Rocha
Stéffanie Oliveira – Presidente do Instituto Rosa dos Ventos
Gabriel Gutierrez – Diretor do Centro Cultural Vale Maranhão
André Machado – Presidente da FBB
Mestre Manoelzinho Salustiano – Doutor em Culturas Populares;
Mestra Martinha do Coco – Mestra no DF
18h – Orquestra Marafreboi (DF) part. Márcio Marinho (DF)
19h – Beco da Rainha (DF) convida Ellen Oléria (DF) e Capela Imperial (DF)
20h – Forró Cobogó (DF) convida Nivaldo do Acordeon (PI), Dada Nunes (DF) e Vavá Gomes (DF)
21h – Nenzin MC (DF) convida Rapadura (DF).
22h – Orquestra Alada Trovão da Mata (DF) convida Maracatu de Baque Solto Galo Dourado (PE)
23h – Filhos de Dona Maria (DF) Convida Mariene de Castro (BA); Grupo de Samba de Roda Nicinha Raízes de Santo Amaro (BA) e Jongo do Cerrado (DF)
Serviço – Festival do Patrimônio Brasileiro
Quando: 20 e 21 de março, das 16h à 0h
Onde: Praça da Juventude, QNN 13, Ceilândia
Ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/festival-do-patrimonio-brasileiro/3349597
Instagram: https://www.instagram.com/festivalpatrimoniobrasileiro/
Entrada gratuita