
Como parte da programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) promoveu, na tarde desta quinta-feira (5), no Foro Trabalhista de Brasília, a oficina “Nós, mulheres diversas, e o mundo do trabalho: existir para resistir, conhecer para transformar” e a inauguração do painel artístico “Além do Visível“, obra que convida à reflexão sobre o trabalho feminino, a diversidade e o enfrentamento das desigualdades.
A agenda teve início no período da tarde com a oficina “Nós, mulheres diversas, e o mundo do trabalho: existir para resistir, conhecer para transformar”, realizada no Auditório Ministro Coqueijo Costa, no Foro Trabalhista de Brasília. A atividade foi mediada pelas integrantes representantes dos segmentos mulheres e pessoas negras do comitê, as servidoras Cynthia Ciarallo e Luana Almeida, respectivamente.
A mulher e o trabalho
Concebida como um espaço de autorreflexão, a oficina abordou as complexidades das relações laborais sob uma perspectiva interseccional. A atividade promoveu reflexões sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente laboral e a necessidade de construção de espaços mais equitativos e respeitosos.
Após a oficina, foi realizada a inauguração do painel “Além do Visível”, uma obra do artista plástico Antônio Carlos Euzébio Pereira, conhecido como Toninho Euzébio, que propõe uma reflexão sobre as múltiplas dimensões da presença feminina no mundo do trabalho, destacando profissões, o trabalho invisível e a diversidade das trajetórias das mulheres.
Toninho Euzébio explicou que, na produção do painel, utilizou faixas como elemento estruturante da narrativa visual. Dessa forma, o painel foi concebido a partir de três planos: o primeiro retrata diferentes profissões exercidas por mulheres; o segundo evidencia o chamado trabalho invisível, como o cuidado com a casa e a família; e o terceiro destaca a diversidade feminina, com a representação de diferentes etnias e trajetórias.
Ainda segundo o artista, a escolha das profissões buscou transmitir a ideia de que a mulher pode ocupar qualquer espaço. Entre as figuras representadas está a de uma astronauta, símbolo de possibilidades historicamente consideradas improváveis, mas plenamente alcançáveis. Ele ressaltou ainda que todas as atividades retratadas possuem o mesmo valor e que o segundo plano da obra evidencia a dupla jornada feminina, frequentemente desvalorizada.
Homenagem
Durante a cerimônia, a diretora do Foro Trabalhista de Brasília, juíza Larissa Lizita Lobo Silveira, destacou a satisfação em inaugurar a obra na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher e agradeceu ao artista pela criação, que classificou como sensível e impactante. Segundo a magistrada, o painel constitui uma homenagem permanente às mulheres que atuam no foro trabalhista – entre servidoras, advogadas, magistradas, estagiárias e jurisdicionadas -, bem como àquelas que vieram antes e às que ainda seguirão na luta por direitos.
Ao comentar o conteúdo da obra, a diretora explicou que o painel propõe uma reflexão a partir de três perspectivas: o real, o diverso e o ideal.
“No campo da diversidade, o painel retrata cinco faces da mulher brasileira: mulheres pretas, indígena, de origem asiática e branca, em diferentes faixas etárias. Retrata também a pluralidade das profissões, em cenários urbanos, rurais e em aldeias. Aqui vemos a astronauta representando as áreas científicas, a trabalhadora do campo, a professora, a profissional da limpeza e, por fim, uma líder, uma mulher que ocupa um espaço de poder”, afirmou.
Ao concluir sua fala, a magistrada ressaltou que a perspectiva do ideal aponta para um horizonte ainda em construção, de mulheres livres da violência, do assédio e da opressão, inseridas em ambientes de trabalho dignos e seguros.
Valorização
Em seu discurso, o presidente do TRT-10, desembargador Ribamar Lima Junior, elogiou a sensibilidade do trabalho por retratar o cotidiano e provocar reflexões sobre uma sociedade ainda marcada pelo machismo e pela necessidade de maior inclusão. O magistrado também destacou o papel dos comitês e subcomitês da instituição na promoção de avanços institucionais, afirmando que muitas das realizações da atual gestão resultaram do trabalho coletivo desses colegiados.
O desembargador fez ainda um reconhecimento à atuação da diretora do Foro Trabalhista de Brasília, ressaltando sua condução firme e dialogada da unidade, e elogiou o trabalho da juíza Idália Rosa da Silva, coordenadora do Comitê de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, pelo engajamento em iniciativas que têm contribuído para tornar a instituição mais inclusiva.
Representatividade feminina
Para a presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas do Distrito Federal (AATDF), Caroline de Sena Vieira Rosa, o momento reforça a importância de as mulheres serem vistas e de ocuparem espaços com propósito, em busca de equidade e respeito nas relações profissionais.
“É uma honra estar aqui com um painel que nos emociona, porque enxergamos a potência que é ser uma mulher, mesmo quando ela é invisibilizada. Estamos aqui para dizer da importância de sermos vistas: não basta ocupar espaço por ocupar. Nós queremos equidade, respeito e relações íntegras, sem assédio”, afirmou.Caroline Sena disse ainda que as mulheres não são um “sexo frágil”, mas uma força essencial na sociedade, no Poder Judiciário e na advocacia, área que hoje conta com participação majoritariamente feminina. A advogada também parabenizou o TRT-10 e o artista Toninho Euzébio pelo “olhar sensível” sobre a importância das mulheres.
Realização
A programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher no TRT-10 reúne a articulação de diferentes unidades e comitês, como a Ouvidoria da Mulher, o Subcomitê de Incentivo à Participação Feminina, os Subcomitês de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e Sexual e o Comitê Gestor do Programa de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, além das áreas administrativas responsáveis pelo suporte operacional.
Por Jeovana Silva – TRT 10ª