
Dirigido pela venezuelana Mariana Rondón e com coprodução brasileira da Klaxon Cultura Audiovisual, o filme chega aos cinemas no dia 05/02
“Quantos dias você consegue ficar sem comer antes de se transformar em um animal selvagem?”, pergunta um personagem de ZAFARI. Dona de uma obra sempre atravessada pelas crises sociais e econômicas que atingem seu país, Rondón imagina um país distópico, onde a população que ainda não fugiu para o exterior enfrenta a ausência das regras sociais, a falta de trabalho e, sobretudo, de comida.
No longa, o personagem que atravessa a crise do país com mais conforto é o hipopótamo que batiza o longa. Ele, que acaba de chegar ao zoológico da cidade, é quem come mais e melhor. Sua rotina alimentar e seu corpo arredondado despertam sentimentos inesperados em quem encara privações — especialmente os membros de duas famílias: uma rica, que perdeu seus privilégios, e outra pobre, que decide que não precisa mais se sujeitar a regras sociais. Rondón explica que decidiu contar o filme como uma fábula distópica. “A chegada do hipopótamo a um lugar aparentemente idílico vai elevando os instintos mais básicos dos vizinhos: a fome, o desejo e o medo. A vida é cada vez mais grotesca e uma moralidade duvidosa toma conta deles. Propomos ao espectador se ver nesse espelho enquanto acompanha os personagens observando a vida dos outros fascinados, horrorizados e excitados”.
Para Marité Ugás, corroteirista do filme, o encontro da ironia com o cinema de gênero ajuda a tocar nos temas que são caros à dupla de cineastas: “Todos os elementos apontavam para a necessidade de dar um passo em direção ao suspense e também um pouco ao terror. Mostrar a sensação física da fome nos pareceu importante para contar a história”, explica.
A trajetória de ZAFARI começou na seção Horizontes Latinos do Festival de San Sebastián, onde o filme teve sua première. O longa circulou por festivais na Alemanha, Grécia, Índia e Brasil, com sua primeira exibição nacional na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Povoado por um elenco que reúne profissionais e amadores, ZAFARI é uma co-produção entre Brasil, Venezuela, Peru, México, França, Chile e República Dominicana e será lançado nos cinemas brasileiros pela Vitrine Filmes, com previsão de estreia no dia 5 de fevereiro.
SINOPSE
Num pequeno zoológico em Caracas, a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais. Uma família acompanha as comemorações da janela de seu apartamento em um condomínio decadente de classe alta. Em meio ao caos gerado pela escassez de alimentos, água e energia elétrica, a família precisa resolver problemas cotidianos enquanto tenta encontrar uma solução para deixar o país. A mãe, Ana, percorre o prédio à procura de comida nos apartamentos abandonados, mas ruídos estranhos pelos corredores escuros a amedrontam cada vez mais. Num mundo cada vez mais selvagem, Zafari é o único que ainda tem o que comer.
A DIRETORA
A venezuelana Mariana Rondón nasceu em Barquisimeto, em 1966. Depois de estudar animação em Paris, formou-se pela Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV), em Cuba. É uma das fundadoras da produtora multinacional Sudaca Films, espaço colaborativo que reúne realizadores latino-americanos interessados em narrativas regionais e na afirmação de identidades culturais.
Rondón estreou no comando de um longa-metragem com a ficção-científica de cunho social A la Medianoche y Media (1999), codirigido com a cineasta peruana Marité Ugás, com quem mantém uma parceria duradoura, atuando no roteiro, produção e direção de cinema. O filme foi selecionado para o Festival Internacional de Tóquio e para a Mostra de Cinema de São Paulo, onde todos os seus longas foram exibidos.
Entre suas obras, Postais de Leningrado(2007), que lhe rendeu um prêmio para jovens cineastas na Mostra, e Pelo Malo(2013), longa premiado nos festivais de Havana e Mar del Plata, além de vencedor da Concha de Ouro no Festival de San Sebastián. Depois de Zafari (2024), Rondón dirigiu Ainda é Noite em Caracas (2025), que teve estreia no Festival de Veneza e também foi exibido no Festival de Toronto.
FILMOGRAFIA
• A la medianoche y media (1999) – codireção
• Postdata: Crónica Roja (2003) – direção (série de TV)
• Bodas de oro (2005) – codireção (telefilme)
• Lo que se hereda no se hurta (2007) – direção (telefilme)
• Postais de Leningrado (2007) – direção
• Pelo Malo (2013) – direção
• Zafari (2024) – direção
• Ainda é Noite em Caracas (2025) – codireção
ELENCO
• Daniela Ramírez | Ana
• Francisco Denis | Edgar
• Samantha Castillo | Natalia
• Alí Rondón | Ali
• Varek La Rosa | Bruno
• Beto Benites | Flaco
• Claret Quea | Mataperro
• Juan Carlos Colombo | Francisco
• José Andrés Díaz | Tito
FICHA TÉCNICA
Ficção, 100 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Mariana Rondón
Roteiro: Mariana Rondón, Marité Ugás
Fotografia: Alfredo Altamirano
Montagem: Isabela Monteiro de Castro
Som: Franklin Hernandéz, Graciela Barrault
Desenho de Som: Lena Esquenazi
Música: Pauchi Sasaki
Design de Produção: Diana Quiróz
Elenco: Daniela Ramirez, Francisco Denis, Samantha Castillo, Varek La Rosa, Claret Quea, Juan Carlos Colombo, Alí Rondón
Produção: Mariana Rondón, Sterlyn Ramírez, Giancarlo Nasi, Juliette Lepoutre, Pierre Menahem, Rafael Sampaio, Cristina Velasco L., Jorge Hernández Aldana, Marité Ugás
Produzido por: Sudaca Films, Paloma Negra Films, Klaxon Cultura Audiovisual, Still Moving, Quijote Films
Coproduzido por: Selene Films, Artefactos Films, Spcine
Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes
SOBRE A KLAXON
A Klaxon Cultura Audiovisual foi fundada por Rafael Sampaio com a missão de contribuir para o desenvolvimento da cultura e da indústria audiovisual nos diferentes segmentos em que atua: formação, difusão e produção audiovisual, sendo a responsável pelo evento de mercado BrLab, um dos mais importantes da América Latina.
SOBRE A SPCINE
A Spcine é a empresa pública de cinema e audiovisual da Prefeitura de São Paulo, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. Atua como um escritório de desenvolvimento, financiamento e implementação de programas e políticas para os setores de cinema, TV, games e novas mídias. Seu objetivo é reconhecer e estimular o potencial econômico e criativo do audiovisual paulista e seu impacto em âmbito cultural e social.
SOBRE A VITRINE FILMES
A Vitrine Filmes é uma distribuidora de cinema independente que, há 15 anos, promove e valoriza o audiovisual brasileiro e latino-americano. Foi pioneira na descentralização do circuito exibidor com o projeto Sessão Vitrine Petrobras e, desde 2020, vem ampliando sua atuação com iniciativas como a Vitrine España, dedicada à produção e distribuição de filmes na Europa; o selo Manequim, voltado a títulos para grandes públicos; o curso online Vitrine Lab; e a Vitrine Produções, focada no desenvolvimento de novos projetos brasileiros.
Mais de 6 milhões de pessoas já assistiram aos filmes da Vitrine nos cinemas. Um dos grandes sucessos é “O Agente Secreto”, obra do cineasta Kleber Mendonça Filho que recebeu os prêmios de melhor direção e melhor ator (Wagner Moura) no Festival de Cannes em 2025 e foi escolhido para representar o Brasil no Oscar em 2026. Entre os demais destaques estão “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro e vencedor do Urso de Prata em Berlim; “Baby”, de Marcelo Caetano, premiado com ator revelação (Ricardo Teodoro) na Semana da Crítica em Cannes; “Jovens Mães”, mais recente longa dos Irmãos Dardenne e Melhor Roteiro em Cannes; “Bacurau”, vencedor do Prêmio do Júri em Cannes; “Druk – Mais Uma Rodada”, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e “Nosso Sonho”, a cinebiografia de Claudinho e Buchecha, maior bilheteria nacional em 2023
Para 2026, a Vitrine prepara o lançamento de “Ato Noturno”, thriller erótico dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon; “O Riso e a Faca”, coprodução Brasil-Portugal premiada em Cannes (Melhor Atriz para Cleo Diára na mostra Un Certain Regard); “Criadas”, primeiro longa de Carol Rodrigues; “Copan”, documentário vencedor do É Tudo Verdade; “Xica da Silva”, clássico de Cacá Diegues protagonizado por Zezé Motta em cópia restaurada em 4K. Pelo selo Manequim, lança “O Rei da Internet”, história do hacker brasileiro Daniel Nascimento com João Guilherme; e “Quinze Dias”, baseado no bestseller de Vitor Martins.