A exposição “Marc Chagall: sonho de amor” estreia no CCBB Brasília no mês em que é celebrado o aniversário do artista

Chagall e o amor que desafia a força da gravidade.

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB) abre as portas em
2 de julho para uma exposição apaixonante – Marc Chagall: sonho de amor. Serão mais de 180 obras desse artista que marcou o século 20 pelo uso revolucionário das formas e das
cores, pela criação de um universo lírico, poético e fantástico em suas pinturas e em seus escritos, e por sua trajetória única, pautada pelo amor que devotava à vida e às artes. A
mostra, considerada sucesso pela crítica brasileira em sua passagem pelo Rio (mais de 115 mil visitantes), ficará em cartaz em Brasília até 18 de setembro e depois segue para Belo
Horizonte (12 de outubro de 2022 a 9 de janeiro de 2023) e São Paulo (1 de fevereiro a 10 de abril de 2023).

“Só o amor me interessa, e eu estou apenas em contato com coisas que giram em torno do amor” – é esta frase célebre de Chagall que de certa forma orienta a exposição. Chagall
enfatizava repetidamente que sua vida e arte eram suas formas de expressar amor.

Nascido em 7 de julho de 1887 no bairro judaico da cidade de Vitebsk, na antiga Rússia, Marc Chagall
viveu uma vida quase centenária, chegando aos quase 98 anos de idade. Faleceu na França, em 1985, após atravessar a Revolução Russa e a 1a e 2a Guerras Mundiais, assistir à criação e consolidação do Estado de Israel, e ser reconhecido como um dos nomes mais importantes da arte moderna, sobretudo pela criação de uma linguagem artística única.
No pavilhão de vidro do CCBB, o “Sonho de amor” é anunciado pela instalação contemporânea Air Fountain, gentilmente cedida pelo artista norte-americano Daniel
Wurtzel.

Nas galerias 1 e 2, o percurso apresenta uma seleção de obras produzidas por Chagall ao longo da carreira, de onde emergem os temas: origens e tradições russas; o amor e o exílio na representação do mundo sagrado; o lirismo e a poesia, reencontrados em seu retorno à
França, e o amor transcendente, uma ode ao sentimento de estar apaixonado, presente na figura dos enamorados que flutuam nas telas ou estão imersos entre ramos de flores.
Na obra de Chagall, o gosto pelas cores só fez aumentar o amor pela vida. Como declarou: “na vida, assim como na paleta do artista, há somente uma cor que dá sentido à vida e à arte: é a cor do amor”. Sua biografia, marcada pela origem humilde e pelos inúmeros obstáculos à sobrevivência, compeliu-o a se mover inúmeras vezes: viveu na França, nos Estados Unidos e na própria União Soviética, onde, após a Revolução Russa, ocupou o posto de Comissário de
Belas Artes de Vitebsk, sendo responsável pela vida artística da cidade. Após breve atuação no cargo, Chagall mudou-se para Moscou, onde trabalhou em 1920 nos painéis e no mural do Teatro Judeu, com grande repercussão naquele contexto. Em seguida, mudou-se para Berlim, onde havia sido reconhecido artisticamente desde 1914, partindo em 1922 para a cidade à qual dirigiu inúmeras declarações de amor e onde viveu a maior parte de sua vida: Paris, cidade em que Chagall atingiu sua plenitude artística.
Em sua trajetória única, Chagall fundiu diferentes culturas: a judaica, sua cultura de origem familiar; a russa, de nascimento; e a ocidental, por escolha. Em uma combinação especial de domínio técnico, respeito pelas tradições ancestrais e extrema sensibilidade na orquestração de formas e cores, abriu caminhos para o surrealismo, estabeleceu diálogo com o cubismo e com o fauvismo, e criou um universo próprio, vibrante e imaginativo. Não menos importante
é sua contribuição para as artes gráficas, em que alcançou pleno domínio das técnicas de água-forte e de litografia, produzindo séries gráficas de excepcional beleza e apuro técnico, à altura das obras literárias que as inspiraram. Para Chagall, a Bíblia ainda era a maior fonte de poesia de todos os tempos.

Segundo a curadora da exposição, Lola Durán Úcar, couberam na seleção obras “que mostram diferentes técnicas e suportes que Chagall utilizou com grande virtuosismo: óleos, têmperas
e guaches, litografias e águas-fortes branco e preto e coloridas à mão”.
Entre os trabalhos de Chagall exibidos no Brasil, que contemplam o período de 1922 a 1981, pode-se destacar o raríssimo guache O avarento que perdeu seu tesouro (L’avare qui a perdu son trésor), de 1927, produção que dá início à série gráfica das Fábulas de La Fontaine (Fables, Jean de La Fontaine), encomendada por Ambroise Vollard no final dos anos 1920 e impressa
somente em 1952.
Também fazem parte da mostra as gravuras coloridas à mão da série Bíblia, animadas por um sentimento de reconexão do artista com suas origens, com sua essência, com suas
experiências na comunidade judaica de Vitebsk. Além disso, a exposição conta com litografias publicadas em 1954 na revista francesa Derrière Le Miroir – Edições 66, 67 e 68 – Marc
Chagall: Paris, produzidas como uma homenagem do artista à cidade que tão bem o acolheu, no auge de seu domínio técnico da litografia. A série é uma declaração do seu amor por Paris.
Em cada seção da exposição encontram-se obras emblemáticas, entre as quais podemos citar:
Os amantes com asno azul (Les amoureux à l’âne bleu) 1955, O galo violeta (Le coq violet), de 1966-1972, Os reflexos verdes (Le reflets verts), de 1964, Duas cabeças (Deux têtes), de 1966, Buquê de flores sobre fundo vermelho (Bouquet de fleurs sur fond rouge) 1970, Os noivos com trenó e galo vermelho (Les mariés au traîneau et au coq rouge), de 1957, e Primavera (Le Printemps), de 1938-1939, estas duas últimas provenientes respectivamente
dos acervos da Casa Museu Ema Klabin e do Museu de Arte Contemporânea da Universidade
de São Paulo (MAC USP), especialmente cedidas para a exposição. Segundo a curadora, “as
obras emprestadas pelas instituições brasileiras são de grande importância no discurso expositivo”.

Em Brasília a mostra também contará com trabalhos que não foram vistos em outros países.
Apesar de a exposição fazer parte de uma itinerância que foi concebida na Itália, o projeto brasileiro inclui outros repertórios, como a série litográfica Chagall: Paris para a revista Derrière Le Miroir, e obras de 1946, como a belíssima O buquê da Lua ou Os lírios brancos (Le bouquet de la lune ou Les arums blancs), além do diálogo com obras provenientes de coleções brasileiras como as da Fundação José e Paulina Nemirovsky, em comodato com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, cedidas para a exposição: O violinista apaixonado (Le violoniste amoureux), de ca. 1967, Cidade cinzenta (Village gris), de ca. 1964, Casa em Peskowatik (Maison à Peskowatik), de 1922, e Autorretrato com chapéu enfeitado (Autoportrait au chapeau garni), de 1928, integradas aos módulos da exposição.
Um dos objetivos da mostra é reaproximar o público desse artista ímpar, proporcionando uma imersão em seu universo vibrante e poético. A proposta visa a embalar o visitante numa atmosfera de conhecimento e encantamento, “na qual possa dialogar e se sentir tocado pelos
diversos sentidos do amor que perpassa a obra de Chagall, […] num momento de fragilidades mundiais”, completa a curadora

A exposição tem patrocínio da BB Seguros e do Banco do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

A organização e produção são da empresa Cy Museum, em parceria com a italiana Arthemisia.

Marc Chagall: sonho de amor
Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

Quando: de 2/7 a 18/9/2022

Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

Endereço: SCES, Trecho 2 – Brasília/DF
Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 20h30
Entrada gratuita
Retire seu ingresso no site bb.com.br/cultura
Tel: (61) 3108 7600
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