
Sem equipamentos e pesos de academia, a prática melhora a força, o equilíbrio e a consciência corporal
Já pensou em usar apenas o peso corporal para se exercitar? Isso é totalmente possível com a calistenia. A técnica ganha espaço entre quem busca uma alternativa eficiente, acessível e completa para cuidar do corpo. Com proposta simples, as práticas garantem melhora na consciência corporal, equilíbrio e fortalecimento. Dra. Leandra Batista, professora de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), revela que sem halteres, barras guiadas ou máquinas, a prática de calistenia tem muita qualidade.
A calistenia nasceu na Grécia Antiga, onde era praticada como parte do ideal de equilíbrio entre força e beleza refletido nas palavras gregas kallos (beleza) e sthenos (força). Evoluiu e ganhou nova projeção no século XIX, especialmente na França, Alemanha e Estados Unidos, como método acessível e eficiente de condicionamento físico. A atividade desenvolve força funcional, melhora a postura e reduz o risco de lesões, conforme explica a especialista: “Ela ativa vários grupos musculares, melhora a coordenação motora, o equilíbrio e fortalece tendões e ligamentos. Tudo isso sem a necessidade de cargas externas”.
Exercícios como flexões, pranchas e agachamentos estimulam o corpo de forma integrada. “É um tipo de treino que respeita a biomecânica natural do corpo. Quando bem orientado, o risco de lesão é muito baixo”, garante. Um dos diferenciais da modalidade é o foco no controle corporal. A partir dos movimentos que exigem equilíbrio e consciência postural, o praticante passa a conhecer melhor seu próprio corpo. “Com o tempo, a pessoa percebe melhora na mobilidade, na estabilidade e na forma como se movimenta no dia a dia.”
Para quem é a calistenia?
Os iniciantes podem apostar nos exercícios básicos, que não exigem equipamentos e são fáceis de aprender, indica a especialista. Atletas e praticantes de esportes como artes marciais, parkour e ginástica, podem aprimorar a força relativa e a resistência. Já quem tem histórico de lesões articulares, osteopenia ou obesidade deve ter acompanhamento profissional. “Todos podem praticar, mas é fundamental adaptar os exercícios à realidade de cada um para garantir segurança”, orienta.
A frequência do treino deve variar de acordo com o nível de condicionamento físico e a intensidade dos exercícios. Segundo Leandra, o descanso é importante para que o corpo assimile e reforce os estímulos recebidos, fortalecendo os músculos e evitando o chamado overtraining, que pode prejudicar o desempenho e gerar lesões. “Se for um treino leve, como uma prancha rápida por dia, não há problema. Mas em treinos mais pesados, o ideal é respeitar o tempo de recuperação do corpo”, destaca.
A professora de Educação Física reforça a importância da técnica correta dos movimentos, evitando compensações, sobrecarga articular e dores. “Antes de tentar exercícios avançados, domine os básicos, como o controle do core, o alinhamento dos ombros e a estabilidade da coluna.” Por fim, Leandra recomenda a orientação de um profissional de Educação Física para ensinar a técnica e montar uma rotina segura: “A prioridade é respeitar os limites do corpo, manter a regularidade e prestar atenção na execução de cada movimento”.